quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

No varal

Hoje pela manhã, em algum momento da aula de Pilates tive vontade que meu corpo fosse apenas uma roupa pendurada num varal. E sei até onde eu queria estar : à beira da pista de asfalto, entre o charco e o leito quase seco do rio, em Vila de Santo André, no extremo sul da Bahia. Ia ficar toda prosa me balançando no meio das roupas coloridas, sentindo a brisa que vem do mar, o ar morno de dezembro, deixando os pensamentos voar... De vez em quando daria uma espiada nos carros que passam apressados a cada 30 minutos em direção à balsa, ia me divertir como criança da desgraça dos turistas desavisados que só percebem o quebra molas quando já deram um pulo tão grande que tudo dentro do carro sai do lugar... Podia também ver a cara dos nativos que passam pedalando suas bicicletas, sorrisos abertos encarando o vento, ou olhar do alto as bacias de alumínio carregadas de panelas que são levadas para lavar na pouca água do rio. Ficar torcendo para ter momentos de silencio. Ninguém na pista. Apenas eu e as roupas admirando aquele cenário natural de extrema beleza. Aplaudir a vegetação que se recuperou depois do incêndio no ano passado, ter ouvidos apenas para o canto dos pássaros e brincar de identificar cada trinado. E o melhor, ficar bem esticadinha, nenhuma tensão,
nenhuma ruga, nenhum stress. Apenas eu, as roupas no varal e o vento.

Um comentário:

  1. Olá Léa, me identifiquei com esse post.
    Nunca pensei em ser roupa no varal.
    Mas quando passo entre elas,sinto que delas vem uma mensagem alegre,uma interação com o vento e com o sol.Como se contassem pra eles,escondido dos seus donos,dos momentos felizes vividos e dos planos futuros.
    Elas têm mesmo um quê de cuidadas e de Tudo certo.
    Roupa no varal me alegra.
    Nesse seu lugarzinho particular então...
    Seria bom mesmo ser roupa no varal
    Me desculpe o portugues...

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