segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mais vale um gosto...

Muitas manhãs quando me estico no Pilates, tenho como companhia uma moça magrinha, pequena, branquinha, pouco mais do que 25 anos, que está noiva. Entre a mudança dos aparelhos e um refresco da professora, pergunto sobre os preparativos para o casamento. Aguçou a minha curiosidade este novo tipo de produção quando há alguns meses fui ao casamento da filha de uma amiga no Rio. Esperando do lado de fora da Igreja fiquei impressionada com uma moça que andava de um lado para o outro, organizava a fila das madrinhas com padrinhos, determinava onde mãe da noiva deveria ficar, arrumava a gravata do noivo, monitorava pelo celular o carro que trazia a noiva, dava ordens aos músicos e com um radio controlava a equipe. Perguntei a minha amiga quem era esta figura tão determinante e espantada com a minha ignorância cochichou: a cerimonialista.
A partir daí um sem numero de profissionais especializados em casamento me foram apresentados, e tudo junto faz uma grande e custosa produção. Mais do que ter uma noiva, um noivo, pais, padrinhos, madrinhas e damas no altar, existe uma parafernália que compõe o espetáculo. É um “tem que ter” enorme de atrações e atitudes para os casamentos estarem de acordo com este tempo. Não falo da melhor modista, chapeleira, floricultura para o buquê, sapateiro e buffet. Mas como diria a Regina Case, “o que vem com tudo” nos casamentos é muito mais, como as fotos com direito a figurino de plumas, paetês, chapéus e outros acessórios entregues no final da festa em um porta-retratos personalizado...
Com a minha praticidade capricorniana fico imaginando se não seria melhor aplicar este investimento numa viagem onde o casal pudesse se curtir, fazer extravagancia a dois, enfim uma lua de mel bem lambuzada... Mas como ninguém tem o direito de interferir no sonho do outro, seja ele qual for, por isso me calo, escuto e reflito... Quando chegar na minha idade ela vai avaliar se valeu à pena tudo isso... Como diria vovó, mais vale um gosto do que dez vinténs.

Um comentário:

  1. Quando ainda morava em Brasília presenciei alguns destes casamentos ou festas de aniversário de alta produção. Lembro-me de uma festa que meu filho compareceu (15 anos) onde havia uma casa para a festa e OUTRA onde a debutante (ainda se usa essa palavra?) ficava junto com sua equipe de produção observando os convidados chegarem através de um telão particular. Carruagens e falsos cadetes com espadas de verdade, bolos imitando arranha-céus, vários vestidos para trocar durante a noite...
    confesso minha dificuldade em apreender o sentido disto...

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