quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O meu amigo Roberto


Foi no cursinho vestibular que conheci meu amigo Roberto. Eu pensava em ser psicóloga e ele economista. Nestes 47 anos nos perdemos e nos achamos. Casamos e descasamos, tivemos filhos, mudamos de cidades, de país, e de alguma forma nos encontrávamos. Na verdade nos últimos 5 anos estamos conectados via email e ontem jantamos juntos num japonês bem perto do apt. paulista. Meu amigo Roberto é um super administrador de empresa, com MBA em marketing do tempo em que esta formação era feita apenas em universidades americanas. Quando estávamos no cursinho, passamos juntos por uma história tão incrível que fico imensamente feliz de tê-lo como testemunha, pois às vezes temo contar para alguém e acharem que é delírio.
Tínhamos um colega no cursinho que era de uma família muito importante, mas aos 17 anos – éramos menores de idade !!! não tínhamos a menor noção de quem era quem, só importava o aniversário do Leo e a farra do jantar em sua casa. Meu amigo Roberto morava em Copacabana, perto da casa do Leo, eu morava na Tijuca e lembro que papai me levou de carro e ainda dei carona pra Ângela. Não lembro como voltaríamos, mas algum esquema estava armado, pois não andávamos soltas na madrugada. O apartamento do Leo era enorme, corredores largos parecia uma galeria de arte, apinhado de quadros, quase não víamos a parede, eram muitos Portinaris e Picassos... Depois do jantar servido, estrogonofe., sucesso na época, a sobremesa foi especialíssima: Chico Buarque ao vivo acompanhado do violão! Chico já tinha dois LPs com canções que sabíamos de cor e salteado. No primeiro de 65 : Roda Viva, Retrato em Branco e Preto, Funeral de um lavrador, Januaria, Carolina, O Desencontro, Sem Fantasia, Até Pensei... E no segundo A Banda, Tem Mais Samba, A Rita, Madalena foi pro Mar, Pedro Pedreiro, Juca, Olé Olá, Meu Refrão....Ele e nós cantamos tudo...Ficamos extasiados, era inacreditável... Chico já começava a ser um Chico de respeito...
Lembramos esta historia ontem e lembraremos sempre que nos encontrarmos... Uma lástima que ainda naquela época não existiam as cameras digitais, acho que ninguém fez foto... Alguns anos depois entendi de onde vinha o prestígio dos pais de Leo: eram acionistas da revista O Cruzeiro. Não sei por onde anda a turma do cursinho Bahiense de 1966. Ângela, a querida amiga, partiu em 1991. Teve uma parada cardíaca aos 41 anos. De tudo isto ficou a cena que ainda lembro perfeitamente de um Chico tímido com o violão, e ficou também o meu amigo Roberto, com quem posso dividir essa e outras memórias.


4 comentários:

  1. Léa, seu citado amigo te manda beijos....mas manda dizer que nem era nascido quando isso aconteceu...

    Roberto

    ResponderExcluir
  2. O que se leva da vida são dias como esse...
    Lembranças como essas...

    ResponderExcluir
  3. Linda estória, especialmente quando se pode "imaginar o clima', sem dúvida se pode...

    ResponderExcluir