segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A vida pós Pilates

Sempre odiei ginástica. Lembro que na época do ginásio, ou melhor, quando cursava a 6a. ou 7a. série do ensino fundamental, ficava contando os dias para ficar menstruada e estar livre da aula de ginástica... Ao longo da vida, 3 ou 4 vezes me matriculei em academias de gináticas desistindo no primeiro mês... Certa vez, logo que voltei dos Estados Unidos, cheguei ao extremo de fazer a matrícula, comprar uniforme, para frequentar uma academia moderníssima/novíssima na Tijuca e não fui uma só vez... Mas depois dos 60 anos a vida muda...Na Bahia ando muito, subo e desço as escadas de casa, caminho na praia, ando pelo quintal, mas em São Paulo o máximo são 3 quadras, distância de casa para o escritorio. Refletindo sobre a longevidade das mulheres da minha família, vovó morreu aos 96, mamãe está com 90, resolvi fazer alguma coisa para chegar até lá com pique total e optei pelo Pilates... Mesmo sem saber muito bem do que se tratava saí procurando um espaço perto de casa e por acaso encontrei um em cima do supermercado... Recém inaugurado, com cheiro de novo, creio que fui uma das primeiras alunas... Nos primeiros dias tudo parecia impossível... Entre os desafios estava levantar o bumbum da cama... Rolamento prá frente ainda ia, mas para tras nem pensar... Segundo Luana, minha preofessora, era como se eu fosse um bloco compacto do quadril até o meio das costas... E era mesmo... Hoje no meio da aula a Luana pediu o telefone celular e registrou esta foto... Não precisa dizer que estou profundamente orgulhosa de mim mesma... Além de não doer nada, cada vez que saio da aula parece que tenho 2 m de altura... Sem contar que é o melhor remédio para a gripe de qualquer genero pois o campo de concentração onde Joseph Pilates ficou na 1a. guerra mundial e onde desenvolveu o projeto reconhecido como Pilates, foi o único não atingido pela gripe espanhola. Todos faziam os exercícios que podem parecer meio malucos, mas são geniais...Aguardem os meus próximos passos...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O meu amigo Roberto


Foi no cursinho vestibular que conheci meu amigo Roberto. Eu pensava em ser psicóloga e ele economista. Nestes 47 anos nos perdemos e nos achamos. Casamos e descasamos, tivemos filhos, mudamos de cidades, de país, e de alguma forma nos encontrávamos. Na verdade nos últimos 5 anos estamos conectados via email e ontem jantamos juntos num japonês bem perto do apt. paulista. Meu amigo Roberto é um super administrador de empresa, com MBA em marketing do tempo em que esta formação era feita apenas em universidades americanas. Quando estávamos no cursinho, passamos juntos por uma história tão incrível que fico imensamente feliz de tê-lo como testemunha, pois às vezes temo contar para alguém e acharem que é delírio.
Tínhamos um colega no cursinho que era de uma família muito importante, mas aos 17 anos – éramos menores de idade !!! não tínhamos a menor noção de quem era quem, só importava o aniversário do Leo e a farra do jantar em sua casa. Meu amigo Roberto morava em Copacabana, perto da casa do Leo, eu morava na Tijuca e lembro que papai me levou de carro e ainda dei carona pra Ângela. Não lembro como voltaríamos, mas algum esquema estava armado, pois não andávamos soltas na madrugada. O apartamento do Leo era enorme, corredores largos parecia uma galeria de arte, apinhado de quadros, quase não víamos a parede, eram muitos Portinaris e Picassos... Depois do jantar servido, estrogonofe., sucesso na época, a sobremesa foi especialíssima: Chico Buarque ao vivo acompanhado do violão! Chico já tinha dois LPs com canções que sabíamos de cor e salteado. No primeiro de 65 : Roda Viva, Retrato em Branco e Preto, Funeral de um lavrador, Januaria, Carolina, O Desencontro, Sem Fantasia, Até Pensei... E no segundo A Banda, Tem Mais Samba, A Rita, Madalena foi pro Mar, Pedro Pedreiro, Juca, Olé Olá, Meu Refrão....Ele e nós cantamos tudo...Ficamos extasiados, era inacreditável... Chico já começava a ser um Chico de respeito...
Lembramos esta historia ontem e lembraremos sempre que nos encontrarmos... Uma lástima que ainda naquela época não existiam as cameras digitais, acho que ninguém fez foto... Alguns anos depois entendi de onde vinha o prestígio dos pais de Leo: eram acionistas da revista O Cruzeiro. Não sei por onde anda a turma do cursinho Bahiense de 1966. Ângela, a querida amiga, partiu em 1991. Teve uma parada cardíaca aos 41 anos. De tudo isto ficou a cena que ainda lembro perfeitamente de um Chico tímido com o violão, e ficou também o meu amigo Roberto, com quem posso dividir essa e outras memórias.