quinta-feira, 30 de julho de 2009

O latido na madrugada


Acordo na madrugada com o latido de um cão, grosso e rouco, penso que é o Xico. Por alguns segundos me sinto na Bahia, mas rapidamente caio na real e sinto o peso do cobertor. Tem feito muito frio. Já peguei muitos invernos, talvez piores do que esse. Três em Nova York com muito neve. Um em Lisboa, sem neve mas com um vento vindo do Tejo que congelava a alma... Na TV uma reportagem fala sobre a depressão nestes dias cinzas. De manhã olho pela janela e ainda é noite quando saio para me esticar no pilates. Já são quase 7 horas, muita gente na fila do ônibus, entra e sai na igreja. Não temo por isso.... Quanto mais faz frio mais olho para as fotos de Santo André e sei que qualquer dia eu volto...

domingo, 26 de julho de 2009

e por falar em passarinhos

Fim de semana passada em Vila de Santo André, Fabinho mostrou um ninho de beija flor na amendoeira frente ao mar na Pousada Victor Hugo... Um luxo ! Super visual do ninho... Mamãe cuidadosa traz comidas diversas vezes por dia... Claudia subiu na mesa para fazer a foto... O ninho e a amendoeira sorrindo para o mar... Eita vida dificil!

Meus passarinhos


Entre as boas coisas de viver em Vila de Santo André é estar em contato com a natureza. Sempre tive plantas em casa, carrego vasinhos para os lugares onde trabalho, mas este contato profundo e diário foi um presente dos céus....Moro cercada de árvores e durante quatro anos aprendi a reconhecer o canto dos passarinhos, distinguir o pardal do sabiá, acompanhar um urutau que se instalou no jardim por muitas semanas, a sentir falta dos cardeiais que durante um tempo sumiram do jardim, e a me deliciar com a alegria do sanhaço azul, a ouvir os bem-te-vis na varanda ... Os beija-flores com seu rabo de tesoura, todos os dias, por volta das 10 da manhã vem namorar os hibiscos. E ainda tem as andorinhas que chegam em bando no fim do dia e parecem papel picado no céu, as maritacas que fazem barulho de manhã e a tarde, as corujas piando na madrugada, o sangue de boi, vermelhinho com bico branco que é um escandalo de beleza, só superado pelo tom laranja do "sofrê".

Costumo dizer que Deus fala comigo através dos pássaros e das borboletas, por isso num dos primeiros dias que cheguei para morar em São Paulo e um passarinho e uma borboleta foram me acompanhando na rua, recebi o fato como bom presságio. No apartamento em que moro no bairro do Itai Bibi tem uma pequena varanda onde coloquei algumas plantas e percebi que mesmo no alto do 11andar uns passarinhos ousavam chegar. Como faço na Bahia, passei a colocar a casca do mamão todas as manhãs e hoje a minha varanda é visitada por muitos passarinhos... Até mesmo em dia de chuva ! O zelador do prédio disse que eles fazem sujeira nas varandas, e eu tento explicar que prefiro esta sujeira que a poluição dos carros e ônibus, e fico feliz com os pedacinhos de mamão que deixam cair no chão... Assim sinto que estou em casa A foto não é das melhores, mas dá para ver...

Algumas coisas... Maracanã

As TVs ja mostraram, os jornais publicaram, as pessoas falaram...
E eu estava lá e não mostrei, não publiquei nem falei...
Mas queria deixar aqui só uma coisinha : um encontro que vi de longe no ensaio do maravilhoso show de 50 anos de música do Roberto Carlos no Maracanã dia 11 de julho...
Um encontro delicado, verdadeiro e profundo... Os três amigos ensaiando no palco como se mais de 40 anos não tivessem passado...Feliz os três por estarem seguindo a vida com sucesso, cada um no seu tamanho, com sua historia... Todos respeitados, queridos e felizes...Roberto, Erasmo e Wandeca... na ponta do piano, Wanderley... Foto : Cláudia Schembri

Algumas coisas... Copacabana


Quatro dias em Copacabana esperando o show no Maracanã... Faz sol na sexta-feira, estou em um hotel na Xavier da Silveira, só 2 quadras da praia e vejo que na mala só levei roupa de trabalho... Tenho a manhã de folga, compro biquine e camiseta - não levei nem a havaiana! - e saio pra caminhar na praia, a mesma por onde passei tantas vezes, indo e vindo da Santa Clara ao Posto 6, refletindo com meus botões... O que me afligia, o que eu queria ? Nem lembro mais...

Lembro do cheiro da maresia, dos bons momentos e é muito bom rever Copacabana o lugar mais democático do planeta ... Pós feriado 9 de julho para os paulistas, a praia está repleta de turistas... Tem os mesmos vendedores de biscoito Globo, Mate Leão, canga, chapéu...

Nas muitas lembranças, além do apartamento na Av. Atlantica onde morei, um cenário deslumbrante da orla, do colar de pérolas que forma Copacabana, lembro um domingo de manhã em 1992, andando com um amigo ouvi a confidência de que ele ia lançar um livro e venderia 100 mil exemplares. Não ri por respeito. Nos anos 90 não se vendia tanto livro, ainda não havia o boom da literatura do Paulo Coelho. Tentei confortá-lo sobre o mercado editorial, mas ele se manteve irredutível. Não vendeu 100 mil livros, vendeu mais de 2 milhões ! Ele se chama Lair Ribeiro e o livro é "O Sucessso não ocorre por acaso". Ainda bem que não ouviu meu palpite e seguiu seus sonhos...

Algumas coisas...

que tenho pensado e não tenho escrito... as palavras correm rapidas na mente, vão de um lado para o outro, juntam-se em frases e os textos acabam ficando só em mim... preciso colocar prá fora, em qualquer formato, para dar espaço a outros pensamentos que vão chegando, se juntando até abrir um lugar para serem colocadas... uma constante de criar e desabar...

domingo, 5 de julho de 2009

Meus cabelos


Descobri que tenho um problema com meus cabelos. Não percebo como influencia do sobrenome. Se eu fosse apenas Viana, sobrenome de minha mãe, ou Souza Cardoso, do tempo de casada, o problema estaria lá. Já fiz algumas loucuras nas tonalidades como tentar deixar de ser loura, ficar 12 horas ruiva com uma seqüente tonalidade cenoura... Fui loura tantos anos que até na foto da carteira de identidade estou assim... Fui morena de longas madeixas encaracoladas como as da Gal Costa. Usei muitos anos cabelos curtos, passei a máquina duas vezes e finalmente há 7 anos assumi os grisalhos. Fui bem feliz com eles, assumi os brancos, mas como todos dizem que envelhece demais, aceitei a sugestão e fiz trevas – o inverso de luzes – finos fios escuros que misturados com os grisalhos rejuvenescem. Cortei cabelo com gilete em cabeleireiros desconhecidos em várias cidades do mundo.
Quando achei que estava resolvida com esta questão, tive uma recaída. Tenho muito cabelo e quando começa a crescer sinto como se estivesse com um capacete que me faz parecer D. Léa. Algo tão comportado que só falta colocar spray. E quando isso acontece saio desesperada em busca de um cabelo mais informal. Ontem tive esse ataque. SaÍ andando pelo Itaim olhando os cabeleireiros, procurando algo que me agradasse até que encontrei um convidativo. Uma vitrine com fotos de cabelos modernos e a placa informava hair design. Tudo o que eu queria! Fui recebida por uma japonesa simpática que lavou meus cabelos com massagem no couro cabeludo, e quando sentei frente ao espelho surgiu o hair stylist. Um japonês de óculos andando com uma certa dificuldade e falando com mais dificuldade ainda. A princípio pensei que não entendia português e com isso fui explicando à assistente que queria desbastar para tirar o volume, manter o comprimento e picotar um pouco em cima. Uma coisa mais cosmopolita e desestruturada. O máximo ter um hayr stylist importado do Japão ! Antes de pegar a tesoura ele tirou os óculos, e enquanto fazia profundas entradas da tesoura para tirar o volume pensava com meus botões : “que sorte ter encontrado sozinha, sem referências da Cacaia, um profissional tão competente. Já sou quase uma paulista...” Mas enquanto ele ia cortando eu tentava fugir do pânico. Ele falava português sim, mas era fanho... E com um jeito meio tresloucado foi picotando o cabelo e eu tentava acreditar que ia ficar ótimo... Ficou sim, um caos. Desestruturado, como sugeri. Um grande buraco no cocoruto, o comprimento mantido sim, mas com jeito de chitãozinho e xororó ou mullets. Tirou todas as trevas que fiz a semana passada, fiquei grisalha de novo. A única certeza : meu cabelo cresce muito rápido.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Carteira de Trabalho


Foi dificil de encontrar. Estava dentro de uma velha pasta junto com a certidão de nascimento, o atestado de separação consensual, o passaporte com visto de estudante para os Estados Unidos, PIS/PASEP, velhos documentos bancários. E lá estava ela, azul envelhecida, dificil de ler em caixa alta MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDENCIA SOCIAL - Departamento Nacional de Mão de Obra, o brasão da república e mais abaixo CARTEIRA DE TRABALHO. Não foi a primeira, esta é datada de 1974 e lá está a minha foto com olhar assustado.
Tento lembrar o que esperava da vida, pela data me reencontro num apartamento de dois quartos na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, já separada com um filho de quase dois anos para criar... Sem medo de qualquer coisa, nem "de febre alta em criança" como me disse uma vez Elis Regina ...
E nesta carteira está um pedaço do que construí profissionalmente : TV Estudio Produção (Programa Flavio Cavalcanti), Bloch Editores, Editora Abril, Empresa Jornalística Brasileira (O Globo) e parou na TV Globo em 1986.. De lá prá cá quanta água rolou ! E hoje a recebo de volta assinada pela DC Set... Por questões legais como estarei aqui até abril de 2o10 optaram assim e creio que esta será a ultima assinatura...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

E mail para um amigo

Querido amigo Paulo

Há cinco anos mandei um e-mail contando que estava dando uma virada na vida, e me sentia como uma acrobata se atirando de um trapézio sem rede de segurança... Deixava a vida estabilizada de muitos anos entre Rio e São Paulo para me atirar no nada em uma vila de pescadores no sul da Bahia... Você respondeu ao email dizendo: pode se atirar que seus amigos estarão embaixo para amparar na hora da queda.
Pois bem, o tempo senhor da razão, mostrou que o salto foi para novas descobertas, caminho surpreendente, e assim segui até o ano passado quando me içaram por um período de 4 meses na civilização. Foi muito bom e voltei este ano para um período mais longo, agora até abril de 2010. Nada me aflige, sei que como na canção do Tom e do Chico, “vou voltar sei que ainda vou voltar para o meu lugar...”
Entretanto hoje pela manhã vivi literalmente a experiência de acrobata em trapézio. Para substituir o sobe desce das escadas de casa, o caminhar pelo quintal e pela praia, resolvi fazer Pilates. E tenho esticado tanto que às vezes acho que vou me desmantelar inteira, com um pedaço em cada canto e nunca mais vou conseguir juntar pernas e braços. Puxa, estica, respira, encolhe a barriga... E hoje a Luana, minha professora, resolveu pendurar parte de mim num trapézio. Apenas a perna, mas ela diz que qualquer dia eu sento lá... E foi por isso que lembrei de você... Estou viva, voando, me esticando e feliz... Quando partir para o salto triplo aviso com antecedência...
Beijos saudosos
Léa
(foto : Paulo, eu e Cristina, fevereiro de 2004 - Tarbes, França)
Resposta do Paulo

querida Lea
sou eu agora quem está, parcialmente, em um periodo de reflexao. Nao saio da civilizaçao porque tenho a internet e muitas comunidades sociais, mas fico mais ou menos isolado. Isso dito, acho que fazer exercicios muito puxados(eu caminho todos os dias) nao é exatamente muito indicado. Penso que Michael Jackson se perdeu por aí. Piano piano se va lontano beijos