sábado, 27 de junho de 2009

Por onde andaram os meus dias

Levei um susto quando percebi que hoje é 27 de junho... Todos os dias vejo as datas na agenda, na folhinha atrás da porta do banheiro com mensagens de paz, no relogio digital, no telefone, enfim, eu penso que sei o dia que estou vivendo... Penso, apenas isso... Mas não dou conta de como os dias escorrem pelos meus relogios telefones agenda computadores sem que eu dê a eles um minutos especial de atenção como faço hoje neste dia 27... Nada de especial nesta data... Não lembro de algo a comemorar a não ser a propria vida... Tento lembrar de como passei os outros 59 dias 27 de junho em minha vida... Foram dois vivendo em verões de Nova York. Posso ter andado de bicicleta na volta do trabalho, ou ficado esticada em alguma praça sentindo o sol, ou tomando vinho numa noite fresca em algum bar... Será que foi num desses dias que sai com uma roupa tão colorida que todos me olhavam na rua ? Eu era a propria cucaracha, mas fiquei tão feliz com o calor que extrapolei...
Em um 27 de junho estava em Portugal, fazendo o que meu Deus ???
E os 27 de junhos na dolescencia, algum especial ? alguma festa junina na programação ?
Porque não lembro de todos os meus dias... Onde foram parar os dias 28, 29, 30 e todos os outros dos 12 meses dos meus 60 anos....
Onde estão as primaveras, os verões, os outonos e os invernos ?
Queria ter todos guardados com detalhes...Prometo que daqui pra frente vou dar um pouco de tempo e pensar por onde andaram os meus dias...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pensando

"As máquinas, um dia, talvez venham a pensar. Mas nunca terão sonhos".
Theodor Heuss (1884-1963), político alemão, ex-presidente da Alemanha Federal.

domingo, 21 de junho de 2009

Coisas de casa

A maré subiu demais nas ultimas semanas. Pequenas falésias surgiram em alguns trechos da praia. A maré vai subir de novo, trazer a areia e consertar o degráu que deixou. Tudo isso antes do verão. A natureza é sábia, só não percebe quem não tem tempo para ver o movimento da vida...Sempre tem uma rosa nova no jardim... O ano inteiro ganho este presente... Não sei quem plantou esta roseira, quando cheguei ja existia, multipliquei as mudas e continuam florindo... Quem plantou, agradeço imensamente...

Sol de verão, chegou o inverno

Três dias de sol. Um presente ! Três noites estreladas e frescas. Uma colcha basta para cobrir o corpo na hora de dormir. Um silêncio explêndido. Barulho do mar, do vento nas folhas das árvores, dos passarinhos... Eu merecia este presente ! Caminho na praia, mergulho, deito na areia... Puro prana... Estou em casa. (Foto : a flor do cactus by blackberry)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Rio do alto

Vejo o Rio do alto e é tão lindo. O avião chega pela zona sul, sobrevoa a Praia de Botafogo, Pão de Açucar ao longe, vamos chegando ao Aterro com a vista da Av. Rui Barbosa, viajo nos lugares por onde tanto caminhei... O prédio baixinho na Praia do Flamengo onde morei, o antigo restaurante Rio’s hoje Porcão, o Teatro de Marionetes e do céu vou pisando pelo parque... O Rio é lindo, como na musica do Hermínio Bello de Carvalho, “visto assim do alto mais parece um céu no chão”... Tenho deliciosas lembranças, mas não quero voltar... O perfume das flores das árvores de abricó de macaco quase que entram pela janela do avião... Como eram boas as tardes de inverno quando andava pelo sol... Isto é uma página escrita, virada... Uma das tantas vidas que já vivi...
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Mamãe voce está linda, sentada sozinha na cama ! Que sucesso heim, mamãe ? Cada dia melhor... Não faz esta carinha de pouco caso, você está dando a volta na vida... Como passar pelo Rio e não vir te ver nem que seja um pouquinho... Mamãe, acho que aos 90 voce está começando a gostar dessa briga pela vida... Vamos firme mamãe, não tenha pressa de sair correndo pela casa com o andador, nem comprar uma cadeira de rodas... Qualquer dia você vai estar novamente andando sozinha... Esta mulheres da família Vianna tem estofo, são forte... Vovó chegou aos 97 mamãe, vamos lá...
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Corrigindo : "Como uma Onda" não é obra do Lulu Santos, é do Nelson Motta...Obrigada pela ajuda Rosinei...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Panta Rei

Minha prima Thays, que conheci na infância e na maturidade nos reencontramos em afinidades, mandou as fotos abaixo. Um trabalho impressionante dos monges budistas que com cuidado e dedicação fazem mandalas de sal colorido para serem desmanchadas logo depois de prontas demonstrando a transitoriedade das coisas na vida. Um exercício para mostrar que mesmo que alguma coisa exija o maior esforço para ser feita, pode sumir como a fumaça no ar.
"Panta Rei" é uma expressão do pensador Heráclito, que significa 'TUDO MUDA' (tudo flui, nada persiste) – usada como metáfora filosófica o pisar num Rio que, num milésimo de segundo, depois de pisado, já não era mais feito da mesma água.
Como escreveu Lulu Santos “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia... tudo passa, tudo sempre passará... a vida vem em ondas como um mar... num indo e vindo infinito... tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo.. tudo muda o tempo todo no mundo..."

domingo, 14 de junho de 2009

De Herbert à Cacilda

Zapeando a tv no meio da tarde sábado deparo com uma cena que a princípio achei insólita : os Paralamas no programa Raul Gil. Lá estavam Herbert, Bi e Barone assistindo um desfilar de jovens talentos interpretando suas canções, intercalados com depoimentos de amigos da vida toda e o Raul com seu microfone de ouro pendurado no pescoço num sorriso de satisfação total. “Puxa vida, os Paralamas no meu programa, vocês estão pensando o que ?”era isso que parecia dizer na entrelinhas. E ali fiquei vendo as músicas referencia ao rock nacional nos últimos quase 30 anos, os depoimentos de roqueiros que jamais imaginei que zapeassem o Raul e os agradecimentos emocionados do Herbert e seus “irmãos”. E no final, como todo programa homenagem que se preze as mães, os irmãos, as mulheres e os filhos mandaram recados singelos e profundos. Herbert, Bi e Barone choraram. Eu e o Brasil que viu também.
Fiquei refletindo na importância da TV aberta. Nada disso funcionaria na MTV, ou no Multishow. Para fazer TV emoção não se pode temer a breguice, é preciso desprendimento. E ali no palco estavam as verdades de Raul e os Paralamas, cada um com a sua e totalmente coerentes. O Herbert cadeirante ficou nos meus pensamentos até hoje abrir a Folha de São Paulo e encontrar uma bela matéria na coluna da Mônica Bérgamo na Ilustrada (entrevista a Diógenes Campanha). As fotos mostrando o enfermeiro empurrando a cadeira rampa acima para entrar no palco, os comentários doces do artista sobre a sua limitação física... Fala sobre a vida sexual desde a morte da mulher há 8 anos. “A minha vida sexual com a Linda foi absolutamente linda, maravilhosa, mesmo. Eu não sinto aquele drive tarado, a energia foi canalizada para a música”. Reza com os filhos antes de dormir. “O que sempre tive de mais precioso foi o convívio com meus filhos.” Divide os quartos de hotel com o enfermeiro. Enfim, vida que segue, que cria e que o leva aos palcos em mais de 180 shows nos próximos 2 anos.
Entretanto o mais incrível é que outro lado da página com a entrevista do Herbert estava a lembrança de Cacilda Becker nos 40anos de sua morte. Não vi Cacilda em cena. Foi grande estrela do teatro brasileiro e morreu aos 48 anos devido a um aneurisma. Começou a passar mal em cena, mais de 40 dias em hospital e se foi no dia 14 de junho de 69. Encarou a ditadura militar, protegeu colegas e até hoje é referencia. Quando grande estrela eu ainda tateava no jornalismo. Mas duas frases de sua autoria acompanham a minha vida.
“Não me faça fazer de graça a única coisa que sei fazer cobrando.” Ela se referia ao teatro e eu aos meus textos, minhas ações de assessora de imprensa, criadora de projetos, que hoje uso de forma menos rígida do que aos 30 anos. E a outra frase, faz parte do meu hoje : “Tomei a decisão de sacrificar tudo pela minha carreira. Acho que valeu a pena.”
Que belo fim de semana paulistão!

sábado, 13 de junho de 2009

'A MENTE QUE SE ABRE A UMA IDÉIA, JAMAIS VOLTA AO SEU TAMANHO ORIGINAL'.
EINSTEIN

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O canto da noite

Comecei a fechar as 9 janelas e portas da parte debaixo da casa numa cerimônia que se repete a cada noite antes de ir domir, quando ouvi o canto de uma cigarra. Continuei a fazer o movimento e com alguma criatividade procuro uma forma que não se torne automático. Cada vez quero deixar a vida rolando sem repetir os mesmos gestos. Às vezes escolho primeiro as portas que dão para o jardim e a varanda, deixando por ultimo as janelas do escritório; outras inicio nas pequenas janelas do banheiro e do corredor e depois venho fechando as demais. Não importa qual a ordem, vou fazendo um revezamento descontrolado, mas a verdade é que invento uma pequena prece de agradecimento por aquele dia que está terminando. Sei que pode parecer maluquice, mas as janelas e portas de minha casa, assim como as da minha alma, passam o dia abertas para um jardim lindo, cercado de tantas árvores que algumas pessoas já disseram que do portão nem conseguem ver a casa... A minha alma também é assim. Faço tanto estardalhaço, falo mais que a boca e muitas vezes não revelo a minha essência.
No ritual silencioso de fechar portas e janelas agradeço a delicia de viver junto à natureza, esta noite, especialmente, a concentração estava dificil. A todo instante era interrompida pela cigarra que a princípio pensei estar em algum lugar do jardim próximo a casa, mas com tudo fechado constantei que estava dentro de casa. Tentei encontrar, mas desisti. Fui dormir deixando a cigarra provavelmtene na sala, no vão da escada...
Gritou, ou como alguns preferem dizer de forma poética, cantou a noite toda... Fechei a porta, coloquei o travesseiro na cabeça para abafar o som e só consegui dormir ao lembrar que o seu cantar significava sol no dia seguinte e há alguns dias chovia. Acordei afastando os móveis até me deparar com a cigarra morta. Explodiu com seu canto. É o que acontece com esses insetos...
Vendo aquela cena não consegui resistir a criar um paralelo com a vida das cantoras líricas e imaginei Maria Callas no final de uma récita implodindo no palco do Scala de Milão... Primeiro a garganta se dilataria e estourariam os fios que uniam as sofisticadas pérolas japonesas de um colar parecido com o que Marilyn Monroe ganhou de seu marido Joe di Maggio. Uma a uma as legítimas pérolas cultivadas saiam rolando pelo chão, caindo palco abaixo como um pequeno filete de água, ganhando o tapete fino da platéia e caindo no fosso dos músicos, para incredulidade do maestro… Depois, o pulmão cada vez mais inchado, fazia explodir o sutiã, começando aí a desestruturação do vestido de seda grená. O tecido ia esgarçando até rasgar, ao mesmo tempo que rompia a carne entre os seios de onde pulava o coração exausto de cantar... A platéia de pé aplaudia a cena inusitada e pedia um bis impossível…Uma cena tragicômica, mas era o que passava em minha cabeça enquanto olhava a cigarra morta embaixo do sofá...
Gritar até morrer, tem muita gente que faz isso. Acho que tentei algumas vezes, sem resultado. Chorei tanto, gritei tanto, mas só fiquei muito rouca e no desespero consegui ficar lucida e me restabelecer. Acabei preferindo o silencio, a reflexão, e na serenidade sou levada à viagens inesquecíveis dentro de mim. Viajo mesmo, mais longe do que qualquer psicotropico ou ácido sonham chegar. Já me senti voando, o corpo expandindo, braços e pernas crescendo como se fosse aquele personagem João Pé de Feijão que numa corrida atravessa as nuvens e chega ao céu… Eu também subo montanhas, atravesso rios, cruzo mares e do alto vejo tudo tão pequeno e peço : Senhor, livre me de qualquer sentimento de medo e abra as janelas de minha alma e do meu coração para que eu possa sentir a verdade da vida nos minusculos seres, como as pequena cigarras.

Em tempo : a janela não é da minha casa. É da Casa de Câmara e Cadeia, no alto do Centro Historico de Santa Cruz Cabrália. Ali está o Arquivo Municipal. Quando Secretária de Cultura de Cabrália fui responsável por seu fechamento para visitação devido ao estado lastimável...Foto : Cláudia Schembri.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Email para querida leila

Minha amiga Leila manda um artigo lindo publicado na revista Exame onde o colunista Adriano Silva, diante do desastre do vôo da Air France sugere que todos aproveitem bem o dia e termina dizendo "Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje. "
Tão óbvio prá mim, que respondi a minha querida amiga Leila :
Acredito piamente em tudo isso...
Agora que voltei à civilização, afinal foram mais de 4 anos no meio de um nada que é tudo, pude perceber quanto aprendi dando comida para os passarinhos, acompanhando a subida das marés pela posição da lua, podando as árvores no inverno, fazendo crochê ou bordando e jogando paciencia no computador...tenho a mais perfeita consciência de que a única coisa que me pertence é a vida que levo hoje, aqui e agora...E me pertence enquanto estou respirando com meus próprios pulmões... O resto minha amiga, são detalhes ... A roupa se rasga, um dia voce perde aquele brinco de ouro que gostava tanto num mergulho mais profundo, os papéis ficam amarelecidos, e por aí vai...Voce nao pode imaginar como isso tem sido tão importante quando me vejo a frente dos contratos de 20 mulheres que querem cantar com Ele e exigem milhões de quinquilharias...Ó Senhor ! Nada vale, tudo se perde e nós nos transformamos...bjs e saudades
Em tempo : a foto não tem nada a ver com o texto, mas era a que eu tinha neste computador... É o meu bom velhinho Pulga, quase 13 anos, que conquistou uma bela aposentadoria morando em Santo André.

domingo, 7 de junho de 2009

filosofando

Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo.
John Donne

sábado, 6 de junho de 2009

As pernas da Hebe


Há duas semanas, durante o ensaio do show Elas Cantam Roberto no Theatro Municipal de São Paulo, fiquei passada ao ver as pernas da Hebe... Com um vestido que deixava o joelho de fora, do alto de uma sandália salto 10, sem meias, era um sucesso... Não apenas pelo bom humor, alegria e prazer contagiante em estar ali, mas pela elegancia em ficar sob um salto com uma tranquilidade como se estivesse arrastando uma sandalinha... E tudo isso aos 80 anos !

Sentada na platéia fiquei olhando o movimento da grande estrela da TV brasileira, circulando entre 19 cantoras muito à vontade ... Um jeito de quem conhece palco e sabe estar entre estrelas, nem se preocupando em se mostrar como uma delas, pois ela é...

Antes de terminar o ensaio, ja passava da meia noite quando cheguei perto, ganhei um abraço e comentei sobre a beleza das suas pernas...Ela riu, disse que obra de Deus... Certamente... É obra, privilégio e graça da natureza... Mas fiquei estes dias pensando que nunca ter saído do salto, deve ter sido uma das razões de manter as pernas firmes... Ah! como lamento não conseguir mais ficar num salto alto! Culpa das havaianas e dos tenis. Mas agora não tem retorno...