sábado, 30 de maio de 2009

o melhor lugar do mundo



o jardim está cuidado... os hibiscos, as samambaias que cresceram no dendezeiro, o patio visto do alto, as taiobas que crescem no jardim... estou em casa... o melhor lougar do mundo é aqui...


De volta prá casa

Saio de sampa com chuva fina e frio, chego em casa com noite estrelada. Na madrugada muita chuva... Ah! meu Deus ! 40 dias fora de casa e ainda com chuva ?? Amanhece com sol...Obrigada Senhor ! a casinha

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Mamãe...

Mamãe, a vida é transformação, é aprendizado... Não mamãe, impossível que nada mais exista quando a gente morre, quando este coração para de bater, quando a respiração acaba...
Ufa! Mamãe,respira comigo, presta atenção e me diz : você acha que somos como pequenas formiguinhas que acabamos como se a unha do polegar nos espremesse em cima da mesa, assim como você está fazendo ? Mamãe, a vida não pode ser só isso... E todo esse equipamento que temos, esta sofisticação de neuronios e sistemas que nenhuma tecnologia conseguiu clonar e nos faz ser matéria vai acabar assim, espremido entre a unha e a madeira da mesa da cozinha, como você me mostra agora ?
Ah ! mamãe, você nunca me falou de morte, nunca me falou de outras vidas, nem mesmo apenas desta vida... Mas eu andei olhando pelo mundo e aprendi, li e ouvi que somos muito mais do que isto.. Somos elementos em movimento como a vegetação... Você compreende mamãe que as folhas nascem, caem se transformam em sementes, também em adubo e voltam outras árvores e flores ? Lembra mamãe... Nós também somos assim... Escuta mamãe, sem medo, vivemos em movimento... Não dói, é a vida mamãe...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O rádio da Rosalina

Cresci ouvindo rádio, música caipira e notícias do mundo, no rádio da Rosalina. Ela era magra, pequena, trabalhava na minha família há muitos anos e tinha como relíquia um pequeno rádio. Naquele tempo não havia rádios à pilha, era uma pequena caixa de madeira laqueada em tom marfim e na frente tinha uma telinha de tecido marrom por onde saía o som e um dial de plástico com os números das estações em AM, ondas médias e curtas, assim o locutor falava. Funcionava com válvulas, tinha um curto fio de borracha escura e Rosalina fazia todo o serviço da casa ouvindo o rádio que era transportado por todos os cômodos. Um rádio móvel que procurava saídas de energia para se instalar. Haviam tomadas de porcelana por toda casa, quase que exclusiva para o rádio da Rosalina: no corredor do andar superior de onde saíam os quartos, na varanda da sala para que o som chegasse até o jardim e na cozinha. Bom, a cozinha era um caso à parte. Como ela passava ali grande parte do tempo, papai mandou fazer um nicho em cima da pia, uma espécie de altar em mármore onde o rádio ficava cantando e falando enquanto ela cozinhava o feijão mais cremoso que comi na minha vida e fritava bifes acebolados que ainda hoje, mesmo comendo pouquíssima carne vermelha, ainda me dá água na bola.
O quarto da Rosalina, no fundo do quintal era um lugar mágico. Chegava-se até lá passando por um cômodo mistura de depósito com espaço para passar roupa que era um encantamento para qualquer criança. Revistas velhas, malas de papelão guardadas umas dentro das outras, pedaços de trapos, móveis quebrados, abajur desmontado, tudo que não se tinha coragem de jogar fora ficava ali. Eu era capaz de passar dias naquele mundo garimpando preciosidades como botões perdidos no fundo de alguma caixa, pequenos vidros empoeirados perfeitos para compor o meu laboratório de experiências onde utilizava pedras de goma, anil e mercúrio cromo como matéria prima para fazer “comprimidos” que secavam ao sol. Mas para mim aquele lugar era só passagem. Qualquer movimento que denotasse alguma “pesquisa” era interrompido com um grito: “menina, não mexe aí...”.
Eu respirava fundo, atravessava aquele campo minado e o único consolo era saber que estava indo para um local ainda mais sedutor: o quarto da Rosalina. Duas camas de solteiro, uma dela, outra da filha, um armário velho cuja porta só era fechada com um solavanco e ajuda de um pedaço de papelão dobrado e preso na parte de cima, uma pequena estante que se salvou de um ataque de cupins, duas cadeiras de madeira e uma mesinha de cabeceira. Era na mesinha coberta por uma toalhinha de croché feita pela vovó, que ficava o rádio e de onde o som se espalhava saindo pela janela e passeando no meio das roupas no varal.
Quando meus pais saíam à noite, meus irmãos mais velhos ficavam dentro de casa e eu tinha o privilégio de ficar em seu quarto até a hora deles voltarem. Ela estendia uma colcha de retalhos muito limpa em sua cama e eu ficava deitada enquanto ela fazia saias godê guarda-chuva para a filha Araci, que preferia ficar dentro de casa com minha irmã mais velha. Rosalina era criativa na costura. Pegava a grande bacia de alumínio onde colocava as roupas de molho, limpava bem e emborcava em cima do tecido bem esticado no chão. Com um lápis riscava a circunferência da bacia, depois dobrava o tecido em quatro partes e bem no centro fazia um buraco onde seria a cintura. Era um trabalho de grande engenho e perícia, que jamais esqueci. Depois da saia cortada, Rosalina sentava em um canto do chão e costurava a mão, com a maior delicadeza. Fazia tudo isso ouvindo rádio.
Acontece que a relação de Rosalina com o rádio era ainda mais profunda e só muitos anos depois, acho que foi quando me apaixonei pela primeira vez, vim compreender o que acontecia. Em determinadas noites, Rosalina sentava ao lado do rádio e com muita paciência ficava rodando o dial até sintonizar uma radio no Paraná onde cantores locais se apresentavam. Quando o locutor anunciava “e agora com vocês Trajano Militão, o rei do violão” ela ficava lívida, como que hipnotizada, seu rosto não movia um músculo. Como na brincadeira de criança, ela virava estátua e eu sabia que estava viva, pois caiam lagrimas dos seus olhos. Não fungava, não se debatia, nem soluçava ou gemia. Apenas deixava a água rolar como se estivesse esvaziando o seu coração. Eu me encolhia na cama, ficava quieta esperando a música acabar e havia aprendido que depois do último acorde daquela canção caipira lamurienta, tudo voltava a ser como antes. Rosalina limpava os olhos, balançava a costura que tinha no colo como se sacudisse as lembranças e voltava atenção para a agulha. Às vezes me oferecia água da moringa num copo de plástico com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, outras tirava alguma bala do fundo de alguma caixinha como a premiar o meu bom comportamento neste momento tão intimo. Assisti essas cenas algumas vezes e jamais comentei em casa. Nem mesmo com sua filha que preferia ficar deitada em minha cama conversando sobre namorados com minha irmã.
Até que um dia Rosalina foi emagrecendo ainda mais e eu de longe acompanhava o movimento de saídas para o médico, até levaram-na para o hospital. Colocaram uma outra pessoa para ajudar nos serviços de casa e o rádio silenciou no quarto. Semanas depois papai chegou com a novidade que ia levar Rosalina para a cidade onde ela havia nascido. Em poucos dias arrumaram as malas, papai comprou passagens no trem leito e eu nem lembro quando saíram de casa. Acho que fizeram isso em algum momento em que eu estava na escola, pois quando voltei encontrei o seu quarto vazio. Os colchões enrolados em cima do estrado, a porta do armário caída, a estante apenas com a moringa de água e na mesinha de cabeceira a toalhinha de crochê. O rádio foi com ela, assim como seus sonhos e a esperança de reencontrar a voz que a fazia chorar. Um dia o telefone tocou, era alguém avisando que Rosalina tinha morrido. Mamãe então contou que quando descobriram o câncer era grande demais, não havia cura e fez o que ela pediu: voltar para o interior do Paraná e entregar a filha ao pai, o rei do violão Trajano Militão.

domingo, 24 de maio de 2009

A Chef

Amigos de amigos são meus amigos... Reghi e Lily me apresentaram Renata Braune, uma incrível chef de cuisine paulistana... Quem passar por sampa pode conhecer seu trabalho no Chef Rouge Restaurant ou em qualquer lugar do planeta no maravilhoso site www.vinhoegastronomia.com.br

Para quem tem fé


Meu amigo Jorge lembra que hoje é o dia de Santa Sara Kali, padroeira do povo cigano, a "Santa da fertilidade". Entendo a fertilidade de forma ampla : amigos, idéias, projetos, sonhos... Preciso muito ....Segue a sua oração.
"Santa Sara Kali, tu és a única Santa cigana do mundo. Tu que sofreste todas as formas de humilhação e preconceitos. Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar, para que morresse de sede e fome. Tu que sabes o que é medo, a fome, a mágoa e a dor no coração; não permita que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem. Ó Santa Sara atenda meu pedido: “Fazer o pedido”. Que tu sejas minha advogada diante de Deus. Que TU me concedas sorte, saúde e que abençoe minha vida, da minha família e dos meus amigos."

sábado, 23 de maio de 2009

Estreando...

Primeira foto feita com o meu Blackberry na loja da Tim... Claudia estreou o click... Agora ninguém me segura mais...

sábado, fim de tarde

Vista da varanda do apto. .. não sei se é Itaim Bibi ou Jardim Europa...a Cláudia fez a foto..

Lembranças

Estes tempos corridos vivendo em São Paulo têm me surpreendido... Os dias são mais curtos, mal amanhece já escurece, um outro relógio... Mas apesar desse novo contexto de viver sob pressão, tenho a sensação que o espaço mental expandiu... Talvez pelo volume de informações que recebo diariamente e tenho que processar, da mesma maneira que as molas dos aparelhos de Pilates se esticam, as lembranças de toda a vida são cada vez mais claras e próximas... Nada desaparece nem se perde, tudo se mantêm plenamente claro e lúcido...Há muito tenho o sentimento de que vivo muitas vidas em uma só. Se pudesse materializar, estas vidas estariam em livros, todos encadernados e bem colocados em uma estante, não sei se postos cronológicamente, e algumas vezes não lembro em que momento as historias começaram e acabaram. Mas estão lá, todas eu vivi e me recordo... Como esta foto...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Saudades de Santo André

Foto de Cláudia Schembri do rio João de Tiba, no fundo o mar...

Braços de fora

Joguei mais uma peça de roupa em cima da cama e só então percebi que o guarda-roupa estava praticamente vazio. Saias, vestidos, blusas, calças, xales, lenços, formavam uma enorme montanha no mais autêntico estilo nada serve, nada combina. Depois de meia hora desfilando frente ao espelho para encontrar uma roupinha simples para ir ao cinema a ficha caiu. O problema não estava na cintura que aumentou uns centímetros, ou nos braços que já não agüentam mais ficar fora das mangas na baixa estação, mas a insatisfação era única e exclusivamente minha.
Não conheço mulher que não tenha passado por uma situação dessas. Tem dias que nada serve nada presta nada vale, nem nós mesmas. São dias que poderíamos pular no calendário, esquecer que existiram, não valem nem guardar como experiência de vida. Mas são dias que existem, às vezes muito mais do que desejamos. Jamais assisti um filme ou li em livros, a cena de um homem frente ao espelho colocando e tirando compulsivamente uma gravata, ou uma camiseta básica para sair e encontrar amigos.
Chego a acreditar que o privilégio da transformação, tirar a pele e se recompor como um camaleão é única exclusivamente feminina. Vem no mesmo pacote do processo da fêmea cujos óvulos caem no útero e se não forem surpreendidos na trajetória se escamam, dissolvem e jorram mensalmente por entre nossas pernas. Passamos boa parte de nossas vidas nos recompondo mês a mês, por dentro e por fora, experimentando as mais incrédulas sensações, como se tivéssemos permanentemente um espelho à nossa frente esperando qual personagem irá se refletir.
Somos e fomos uma coleção de personas. Há pouco tempo abri uma caixa com velhas fotos e fiquei procurando um ponto em comum em todas aquelas carinhas que se transmutavam ora em cabelos claros, outras escuros, longos, curtos, lisos, ondulados... Fiquei analisando aonde eu realmente me reconheceria em qualquer circunstância e só então pude perceber que me encontro num certo jeito de olhar a vida com muita vontade. Um olhar que às vezes se acanha, outras encara, mas com a coerência de enfrentar o que vier sem medo. Não importa se foram os tempos de vacas gordas ou magras, se a roupa era chic de boutique ou costurada pela vovó, se o cenário de fundo era Nova York ou a Tijuca, se sozinha ou acompanhada, mas em todas aquelas fotos o olhar refletia a alma de quem acredita que viver vale a pena.
E é por isso que fico até envergonhada quando vejo na cama um monte de roupas empilhadas. Seda, linho, crepe, jeans, chita, algodãozinho barato, jersey, tudo se mistura e qualquer dia vai virar trapo. Não tem escapatória, é o destino do pano que nem traz alguma verdade ou faz diferença. Serve somente para cobrir um corpo e dar algum status. E eu ainda fico ali, vendo o que serve e o que não serve, combina ou não combina, sendo que a sensação de desconforto é puramente interior. Melhor seria esquecer o cinema, ler um livro, dormir mais cedo ou simplesmente trabalhar na consciência de que o verdadeiro poder esta dentro de mim. Enquanto ficar brincando de por e tirar roupinha, como fazia com as bonecas de papelão que recortava das revistas que vinham no jornal de domingo, nada vai prestar ou saciar a minha busca...
Busca de roupa interior, de algum véu que se rompeu em algum momento e me deixou desnuda na confiança da luz que cada um carrega dentro de si. Algo invisível, intangível, um brilho além desta vida, que será sentido profundamente quando conseguir sem ressentimentos ou comparações deixar os braços de fora em qualquer estação.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Conversa com mamãe

Mamãe não chora… Vamos falar das coisas boas da vida... Lembra da viagem à Disney quando entramos num trenzinho pensando que era só um passeio numa vila mina de ouro velho e quando vimos estávamos no alto de uma montanha russa ? Lembra o quanto gritamos e rimos depois com essa historia? Sorri um pouco, mamãe, não chora... Lembra do cachorro quente que comíamos nas esquinas de Nova York e você dizia que era o melhor do mundo ? E a neve que vimos em Mont Vernon, aquele campo enorme, todo branquinho e nós, feito crianças, tiramos fotos prá mostrar no Brasil... Mamãe, quanta vida prá recordar... 90 anos de construção de alegrias... Que graça ter só vivido bons momentos...Quantos irmãos, parentes e amigos... Que maridão você teve por quase 60 anos que lhe cobriu de dengos, e de sapatos e carinhos...Não faltaram viagens, passeios, nem pêssegos escondidos no armário só para você comer ... Bombons nas gavetas, roupa nova no cabide... Nada faltou mamãe, não chora, a nossa vida foi muito feliz...

domingo, 17 de maio de 2009

1993

Um pouco da historia da tv brasileira está comigo nesta foto...
Estudio da antiga TV Tupi na Urca, lançamento do livro "Um Instante Maestro"... Da esquerda para a direita : Wilton Franco, Mauricio Sherman, Jose Messias, Antonio Belo (atrás), Carlos Renato (atrás), eu, Flavio Cavalcanti Jr., Humberto Reis, José Mandarino e Brochado...

Simonal


Fui ao cinema, sessão das duas no shopping Frei Caneca, assistir ao Simonal. Fiquei com um nó na garganta da primeira a última cena. "Ninguem sabe o duro que dei" é a história de alguém que tinha para ser tudo e acabou tão cedo de maneira tão triste... So hoje constatei que ele era 11 anos mais velho do que eu e morreu aos 62 anos... Muito jovem...
Quem primeiro me chamou atenção para a voz de Simonal foi meu irmão Victor. Eu devia ter pouco mais de 16 anos quando ouvi "Nanã". Era surpreendente... Alguns anos depois como jornalista conheci o cantor, e a vida deu voltas, através de amigos ficamos ainda mais próximos e nossos filhos, o dele Max, e o meu Bernardo, foram batizados juntos...Ouvi muitas noites ele dando "canja" no Flag em Copacabana... Cantava "Tatuagem", de Chico Buarque deslumbantemente... Quando estava escrevendo o livro "Um Instante Maestro" fiz uma entrevista com ele. Já doente, deprimido, mas acho que colocamos alguns pontos nos íis... Hoje assistir ao filme deu uma enorme saudade... Saudades dele, saudades de pedaços da minha vida... Também tive vergonha, muita vergonha do que fizeram com ele... Eita Brasil...

Quase 80

"... não sei se trocaria a minha vivência de 80 anos pelo tempo não vivido quando a gente tem 20. Nessa idade a gente nem se vê vivendo." Fernanda Montenegro, Folha de S.Paulo, Ilustrada hoje

quarta-feira, 13 de maio de 2009

reflexão

respondendo email...

"que desafio e aprendizado em cada passo deste show !
não sei se serve como exemplo, mas recentemente estava envolvidíssima num projeto e, de repente, saiu das minhas mãos e caiu na de outra pessoa para continuar tocando...
ao longo de 40 anos de trabalho sempre fui muito apegada a tudo que fazia, e tive pela primeira vez o sentimento de que quando se constrói em conjunto, nada é meu...os outros podem colocar a mão, dar palpite> e até seguir construindo...
só agora percebi, from the deep of my soul, de que meu mesmo acho que tenho apenas a vida que levo... até a casinha na Bahia, as árvores, plantas, os cachorros sei lá o qto são meus... são da vida de cada um... ter tido este pensamento me fez tão feliz... divido com vc estas novas experiências..
beijos e bom dia tudo vai ser melhor"

quinta-feira, 7 de maio de 2009

saudades de casa...
"Em nossos sonhos, a dor que não esquecemos goteja lentamente sobre o coração do homem e, em nosso próprio desespero, e contra nossa vontade, vem a sabedoria por meio da tremenda graça de Deus."
Ésquilo