quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Caminho de casa

Vi o dia nascer no aeroporto de Confins, vejo o dia acabar a caminho do aeroporto do Galeão. Um risco rosado no ceu azul de verão avisto enquanto o carro vai pela Linha Vermelha e sinto o indefectivel cheiro de enxofre, ou de podre, mas que tanto marcaram minha saídas e chegadas do Rio.
Não sei expressar como estou. Ou sou muito forte ou tão fragil que me escondo em um personagem. Talvez em algum momento eu desabe. Estou exausta. Sai de casa para pegar a balsa de 1 da manhã, um voô às 3h30 para BH, depois outro às 7h40 para o Rio e fiquei esperando com minha irmã até às 14hs para a visita na UTI e encontrar mamãe dormindo.
Não mamãe isso não. Acorde só um pouquinho pra me ver. O corpo magrinho coberto por aventais. Onde estão as lindas camisolas que papai presenteava e sempre repetia a mesma piada : "pedi para a vendedora experimentar para ver se ficava bem". Esse era o maximo de insinuação de sensualidade que ouvi em casa. E hoje mamãe esta envolta em panos. Os braços presos a cama transpiram muito. Estranho, só os braços, como se um liquido em forma de suor fosse saindo do corpo apesar do frio do ar condicionado. As mãos estão inchadas de tantas picadas para injetar soro. Penalizada com a cena rezo em silêncio implorando para mamãe acordar. Ela não escuta. Insisto mais um pouco, agora chamando quase que em seu ouvido e aos poucos vai despertando. Vejo na máquina sob a cama que os numeros marcando o batimento cardiaco aumentam muito ao me ver. Desculpe interromper seu sono, mas filhos querem sempre atençao e eu não poderia voltar pra casa sem falar algumas coisas. Lucida presta atenção às graças que falo. Posso ate ouvir sua voz dizendo " uma palhaça" seguido de um risinho curto. Mamãe nunca foi de exteriorizar sentimentos. Continuo falando, meus irmãos falam tambem, fazem sinais e ela se mexe na cama querendo sentar. Ainda não dá mamãe. O enfermeiro avisa que o tempo da visita esta acabando. Ainda faço uma prece em voz alta. Dou um beijo e ela balbucia : Deus te abençoe. Eu respondo : Deus te abençoe tambem, eu te amo.
Volto pra casa e ja não sei quando nos veremos de novo. Por enquanto mamãe ficamos combinado que vamos nos ver qualquer dia.


Léa Penteado enviado do meu Blackberry

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ainda madrugada

Novembro 2008. Sentadinha na cadeira de lona preta na sala de televisão mamãe reclama do Natal que se aproxima. Dedé no sofá, eu num banquinho a seus pés ouvimos as suas lamúrias sobre a festa que se prenuncia. Papai gostava de Natal e festas, mamãe fazia a sua vontade. Se dependesse dela nenhuma palha se moveria no presépio com figuras antigas de ceramica que todo ano montava embaixo da árvore prata com bolas azuis. Nada de de presentes, comilanças, nem o desafinado coral familiar puxado por papai cantando Noite Feliz antes da ceia. Mas na hora da festa ela parecia feliz. Nunca soube se realmente era. Mas naquela tarde de novembro enquanto falavamos do Natal ela disse num tom muito familiar que não queria festa, estava velha e cansada. Aleguei que a festa poderia ser suspensa, mas com um jeito de olhar e falar que conheciamos tão bem, disse que não podia contrariar o desejo do Alceu. Não mais o Alceu marido mas agora o Alceu Filho, " o meu tudo" como gostava de afirmar. Sugeri que ficasse quietinha no quarto enquanto a festa durasse. No maximo 4 horas e tudo teria acabado, e ela disse que tambem não podia. E foi diante deste dilema que tambem com seu jeito tão particular levantou os braços para o alto e disse : " mas Deus vai me ajudar, eu vou morrer antes do Natal e não vai ter festa!"
Ate agora nem sei como num impulso retruquei :
Ora mamãe, quanta pretensão achar que só por que a senhora vai morrer não vai ter Natal. O Natal acontece com ou sem a senhora.
Nem ela nem a Dedé imaginavam este meu ataque. Falta de educação contestar a mãe, mas quase aos 60 me achava no direito.
Ela me encarou bem com seus olhos pequenos e determinou:
Então eu vou morrer no inicio de janeiro. Começava assim o mais louco diálogo de minha vida.
Não vai não mamãe, em janeiro eu faço 60 anos e como vai estragar minha festa ?
Então eu morro em fevereiro.
Ora mamãe, fevereiro tambem não dá. Vou estar trabalhando no navio do Roberto e ja imaginou ter que parar o navio para eu descer e vir ao seu enterro ? Vamos combinar o seguinte : a senhora fica bem boazinha ate maio, seu aniversario de 90 anos, depois disso a gente conversa de novo.
Mamãe aceitou a proposta e ficou boazinha ate o dia do seu aniversario. Como sempre não queria festa, com insistentes apelos acabou concordando em fazer uma feijoada para reunir os filhos. Mas na madrugada do dia da festa caiu ao ir ao banheiro. A osteoporose silenciosa quebrou a cabeça do femur. Foi para o hospital, dias depois a cirurgia para colocaçao de uma protese e mamãe não mais se levantou. Foi se definhando e acho que esta em vias de realizar seu desejo com um ano de atraso. Este ano não vai ter Natal. Ao menos na minha familia.
Aeroporto de Porto Seguro 2h55 da madrugada.

Léa Penteado enviado do meu Blackberry

Madrugada

Atravessando a balsa a caminho do aeroporto. Uma hora da manha. Voô sinistro saindo às 3h30 para o Rio, vou ver mamãe que não chora mais. Esta na UTI em estado critico. Como viajar nesta epoca com raros voôs disponiveis, o agente de viagens faz magica e me coloca pelos ares e estou há algumas horas ja voando por conta da noticia. Não consigo fixar meus pensamentos, so um desejo vem à mente : misericórdia divina. Eu que falo tanto com Ele hoje me sinto muda. Ele sumiu, ficou longe e como outros desesperados pergunto por onde esta que não me ouves. A noite esta linda. Silenciosa e escura nem a lua apareceu para mostrar o caminho da balsa. Mas eu chego do outro lado, chego ao Rio com o dia claro e vou ver a dor de mamãe. Misericordia Senhor.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ciclo

O verão chegou há algumas horas. Um novo ciclo, nova estação. A distancia vivo um outro ciclo que se altera, o da vida. Mamãe vai da UTI para o quarto, do quarto para a UTI. Mamãe não chore, mamãe quase não consegue chorar, nem respirar e agora ficou dificil de engolir. As noticias chegam por telefone e reflito sobre as mudanças, passagens, dores e desconfortos. Viver tambem doi.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Em casa

Atravessando a balsa e o cheiro do mar invade minha alma. Enfim no meu pedaço. Tem uma pequena lua no ceu azul escuro. Primeira estrela que vejo realize meu desejo : ficar aqui pra sempre. Ir e voltar ir e voltar, mas aqui a minha morada, meu lar. Que os anjos digam amém.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Saudades

Tenho saudades da minha vida, de pessoas, momentos, cheiros e historias. E tudo passa tão rapido que as vezes até me perco de mim. A Tostes e a Cris Ramalho falam no facebook que querem me ver. Como eu gostaria tbem de estar com elas e se possível voltar à casa numero 105 da Paulino Fernandes em Botafogo. Eu não sabia o que começava a construir ali. Eu nunca sei o que estou começando a construir cada dia. E qdo vejo o tempo passou. Qualquer dia eu paro tudo e recupero o tempo. Neste exato momento, à bordo do Costa Concordia o maior navio em águas brasileiras, em meio a uma visita técnica, sinto saudades e registro. Tudo o que posso fazer é pensar e sentir.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Preparativos

Estico o corpo como se buscasse o sol. Ele não vem, apenas a luz fria da sala de pilates. Ja estou me sentindo no caminho de casa, do sol, da paz. Queria ter no quintal uma cama para me espreguiçar bem. Nada mexe tanto com meus pensamentos como os exercicios de alongamento. Não sei se Pilates qdo os criou pensou nisso. A mudança as vezes é maior internamente e percebo claramente. Ao telefone mamãe chora e nem consegue falar. Seu corpo cada vez mais fragil agora na cama do hospital, a febre da pneumonia vai e volta. Luzia e Chica se revezam as noites. E eu acompanho de longe pelo telefone mas isso não diminui a dor. O fim é triste. De tudo. Da vida correndo fugindo é mais ainda. Como dizia papai " que Deus ajude". Amem.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

Contando os dias

Não lembro mais há quanto tempo não vivia a ansiedade das férias por chegar. Quando criança contava os dias para a viagem premio à casa da vovó em Niteroi com passagem de alguns dias nas casas das madrinhas no Rio. Mamãe providenciava roupas novas, da calcinha ao vestido para passeios, e eu ficava me achando o maximo por conta da viagem, mesmo que fosse de onibus pela Viação Cometa. Chegar ao Rio com aquele cheiro podre na Av Brasil era pressagio de dias inesqueciveis. E assim estou me preparando para voltar pra casa depois de 1 ano em Sampa. Sou so saudades das coisas mais simples como olhar as árvores no quital e o sabor do sal do banho de mar no rosto. Estou voltando !
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mais vale um gosto...

Muitas manhãs quando me estico no Pilates, tenho como companhia uma moça magrinha, pequena, branquinha, pouco mais do que 25 anos, que está noiva. Entre a mudança dos aparelhos e um refresco da professora, pergunto sobre os preparativos para o casamento. Aguçou a minha curiosidade este novo tipo de produção quando há alguns meses fui ao casamento da filha de uma amiga no Rio. Esperando do lado de fora da Igreja fiquei impressionada com uma moça que andava de um lado para o outro, organizava a fila das madrinhas com padrinhos, determinava onde mãe da noiva deveria ficar, arrumava a gravata do noivo, monitorava pelo celular o carro que trazia a noiva, dava ordens aos músicos e com um radio controlava a equipe. Perguntei a minha amiga quem era esta figura tão determinante e espantada com a minha ignorância cochichou: a cerimonialista.
A partir daí um sem numero de profissionais especializados em casamento me foram apresentados, e tudo junto faz uma grande e custosa produção. Mais do que ter uma noiva, um noivo, pais, padrinhos, madrinhas e damas no altar, existe uma parafernália que compõe o espetáculo. É um “tem que ter” enorme de atrações e atitudes para os casamentos estarem de acordo com este tempo. Não falo da melhor modista, chapeleira, floricultura para o buquê, sapateiro e buffet. Mas como diria a Regina Case, “o que vem com tudo” nos casamentos é muito mais, como as fotos com direito a figurino de plumas, paetês, chapéus e outros acessórios entregues no final da festa em um porta-retratos personalizado...
Com a minha praticidade capricorniana fico imaginando se não seria melhor aplicar este investimento numa viagem onde o casal pudesse se curtir, fazer extravagancia a dois, enfim uma lua de mel bem lambuzada... Mas como ninguém tem o direito de interferir no sonho do outro, seja ele qual for, por isso me calo, escuto e reflito... Quando chegar na minha idade ela vai avaliar se valeu à pena tudo isso... Como diria vovó, mais vale um gosto do que dez vinténs.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

No varal

Hoje pela manhã, em algum momento da aula de Pilates tive vontade que meu corpo fosse apenas uma roupa pendurada num varal. E sei até onde eu queria estar : à beira da pista de asfalto, entre o charco e o leito quase seco do rio, em Vila de Santo André, no extremo sul da Bahia. Ia ficar toda prosa me balançando no meio das roupas coloridas, sentindo a brisa que vem do mar, o ar morno de dezembro, deixando os pensamentos voar... De vez em quando daria uma espiada nos carros que passam apressados a cada 30 minutos em direção à balsa, ia me divertir como criança da desgraça dos turistas desavisados que só percebem o quebra molas quando já deram um pulo tão grande que tudo dentro do carro sai do lugar... Podia também ver a cara dos nativos que passam pedalando suas bicicletas, sorrisos abertos encarando o vento, ou olhar do alto as bacias de alumínio carregadas de panelas que são levadas para lavar na pouca água do rio. Ficar torcendo para ter momentos de silencio. Ninguém na pista. Apenas eu e as roupas admirando aquele cenário natural de extrema beleza. Aplaudir a vegetação que se recuperou depois do incêndio no ano passado, ter ouvidos apenas para o canto dos pássaros e brincar de identificar cada trinado. E o melhor, ficar bem esticadinha, nenhuma tensão,
nenhuma ruga, nenhum stress. Apenas eu, as roupas no varal e o vento.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Encarquilhada

Quanto mais me estico nos aparelhos de pilates, mais penso em como me encarquilho. Não sei se existe o verbo encarquilhar, mas isso é pra dizer o quanto me emboto, tranco, tensiono, enrugo e fecho o corpo no dia a dia. É a mão que se agarra ao mouse como se o ratinho fosse fugir, e reflete no braço, que sobe para o ombro e encarquilha no pescoço. O efeito dominó, uma tensionada de um dedinho do pé vai se refletindo por todo o corpo e quando percebo, até uma ruga surgiu no meio da testa. O incrivel é que enquanto o corpo tensiona a alma relaxa cada vez mais.. Nenhum agito de São Paulo me tira o prazer de encontrar o silencio que está dentro de mim que me faz viajar longe em poucos minutos. É so fechar os olhos, respirar fundo e voar ... Será que algum dia consigo fazer com o corpo o que a meditação me ensinou silenciando a mente ?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

As coisas que jamais imaginei

Eu não sei se faz parte do meu signo ou do meu tipo no eneagrama, mas jamais planejei a vida. Tudo veio acontecendo. Algumas coisas pensei que seria bom ter e vieram depois de muito trabalho. E por não prever nem planejar o futuro jamais imaginei um dia estar viajando e teclando num aparelhinho como esse, plenamemte conectada com o mundo, mesmo que no meio de uma estrada. Santa tecnologia ! Todas as bençãos aos seus inventores.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quando não sou eu

As vezes olho no espelho e não me vejo. Cabelos escuros, "trevas" (inverso das luzes), compridos, não sou eu ... Acabo de cortar os cabelos tão curtos que foram embora quase todos os escuros. Ficaram ainda mais brancos e isso não me espanta. A Bia, cabelereira japonesa, que um dia errou na dose e deixou meu cabelo azulado, ainda sugere passar uma henna. Não quero arriscar mais nada. Hoje eu acho que gosto dos meus brancos. Ate quando, não sei, mas agora ao me olhar no espelho me vejo inteira no meu tempo e idade.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

terça-feira, 3 de novembro de 2009

De volta a SP


Em algum momento que não lembro onde nem qual nem como, aprendi a ser adaptavel. Tem whisky, otimo, só tem cerveja, otimo tambem. Lembro que mudei de uma casa com 7 banheiros, piscina, sauna, com casa dos empregados com sala e 3 quartos, para em pouco mais de um ano morar num apartamento que era um tiquinho maior que o quarto de brinquedos do meu filho. Pulo de um lado para outro feliz. E é assim que volto para SP deixando a paz de Sto Andre, a sinfonia de pássaros, a rua de terra batida e empoçada com água da chuva, e em menos de 12hs estou na ante sala de uma reunião na Nestle. Sou uma porção de Leas e todas são imensamente felizes, harmonicas por mais dispares que possam parecer.

Léa Penteado enviado do meu Blackberry

De volta a SP

Em algum momento que não lembro onde nem qual nem como, aprendi a ser adaptavel. Tem whisky, otimo, só tem cerveja, otimo tambem. Lembro quando sai de uma casa com 7 banheiros, piscina, sauna, a casa dos empregados tinha sala e 3 quartos, e pouco mais de um ano depois eu morava num apartamento que era um tiquinho maior que o quarto de brinquedos do meu filho. Pulo de um lado para outro feliz. E é assim que volto para SP deixando a paz de Sto Andre, a sinfonia de passaros, a rua de terra batida e empoçada da agua de chuva para em menos de 12hs estar na ante sala de uma reunião na Nestle. Sou uma porção de Leas e todas são imensamente feliz, harmonicas por mais dispares que possam parecer.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Chegando

Do transito da marginal de SP para a paz de esperar a balsa vendo o dia acabar a beira do rio João de Tiba.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

Ah! Esse ano...

No taxi a caminho pra Guarulhos com o transito ficando pesado na entrada para a Av. Ayrton Senna, o Sr. Francisco, motorista, suspira e comenta "ah! esse ano passou rápido"... Não é bem o ano, mas a vida que passa rapida se deixarmos de usar com prazer os minutos, as horas e na sequencia, os dias. Hoje fiquei literalmente vendo o tempo passar enquanto fechava um album de fotos pela internet, a minha mais nova e deliciosa brincadeira. Cada pagina 1 minuto, total de 48, e para não interferir no processo fechei todos os programa, aproveitei para ler o jornal com um olho e o outro no monitor acompanhando o envio do material. E vi os minutos passarem e jamais os terei de volta mas era como se esperasse um bolo assar, a lua nascer ou alguem chegar com uma boa noticia. Foram longos minutos para minha pressa em viver profundamente cada instante dos meus lindos dias.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A fila anda

Não estava prestando atenção ao que passava na TV, até ouvir que a reportagem era sobre a obra do Jorginho Guinle, uma exposição em algum lugar no Rio. Não conheci Jorginho, mas acho sua trajetória interessante. Uma vez encontrei Marco Rodrigues, em alguma festa e contou sobre umas "coincidências" geniais na relação tão dificil que teve com a herança do Jorginho... Bom, quando olho para a TV me deparo com uma mulher falando sobre o assunto, e bem embaixo do rosto a legenda com seu nome. Fiquei alguns segundo olhando a legenda, vendo a figura, chocada com a viagem no tempo. Também não conheço a mulher - gente, parece coisa de bêbado! - mas há muitos anos estive com ela em algum evento social, acompanhei suas fotos nas colunas e agora constato como o tempo passou. Estava ela ali, elegante, com o mesmo estilo de cabelo chanel, maquiagem em torno dos olhos e rugas marcando as feições... Ficou todo o rosto um pouco mais flácido, porém a expressão continuava verdadeira, nada de photoshop ou botox. Comecei a imaginar que as pessoas que também que não me veêm há muito tempo, que não acompanharam o surgimento de minhas rugas, o enbranquecimento dos meus cabelos, as bochechas mais caídas, também devem levar o mesmo susto quando numa foto aparece a legenda com meu nome ou quando me "reapresento" em público...
Frase feita e óbvia : o tempo passa para todos. Mas é legal quando constato que pessoas, mesmo as que mal conheço, continuam envolvidas com seu ofício, souberam fazer a fila andar com dignidade...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

As minhas meninas

Não sei se me dá mais alegria ver o crescimento das minhas "meninas" ou o prazer de não ter perdido o contato ao longo dos anos, mesmo quando nos perdemos acabando nos achando. Não são minha filhas, mas poderiam ter sido. Desde a primeira, Angela Tostes, vi todas se tornarem profissionais de altissima qualidade. Cristina Ramalho, Hylde Sipauba, Luciene Setta, Rosangela Honor, Ju Braga, que mulheres especiais se tornaram. A mais nova de todas, Denise Chaer que conheci no ano 2000 tenho ernome admiração. Escrevo dentro de um taxi a caminho de um local onde ela participa de uma mesa redonda sobre Ações de Sustentabilidade. Vou aplaudir a cria com maior carinho.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

memórias

Há alguns dias constatei que tudo o que escrevo são apenas memórias. Não faço previsões, teses, estudos, projetos futuros, apenas coloco em palavras por onde ja passei, senti, ouvi... Apesar de viver o presente com descobertas e novos experimentos, escrevo lembrando o passado... E não sou saudosista, isto é que me deixa mais embaralhada com estas constatações...E minhas memórias vão se deliciar neste fim de semana : tenho 2 livros que vão tocar fundo: o do Simonal e o do Erasmo. Amigos que leram o do Erasmo enviaram email dizendo que não só vou adorar como vou me ver ali revelada. Nada de escandaloso nem prejudicial a minha imagem.. hahahahaha... como se temesse por isso... Mas ele revela meu velho apelido : Leleca Novidade. Quem colocou este apelido foi Carlos Imperial. Eu era uma super jovem jornalista e chegava nos lugares e perguntava : qual é a novidade ? E segundo o Imperial, como eu sempre sabia das melhores novidades... O apelido ficou no tempo. Alguns amigos que assim me chamavam,
se foram, incluindo meu irmão. Hoje creio que apenas Erasmo, Roberto, Kassu, Fuks e Chico Anysio insistem na Leleca... Não me incomodo, afinal adoro minhas memórias...

sábado, 17 de outubro de 2009

Mangueiras e Flamboyants

A caminho do aeroporto de Brasilia fico admirada com tanto verde nos parques, uma profusão de mangueiras carregadas de frutos e flamboyants floridos. Lembranças da infancia, saudades da adolescencia. Vi crescer e florir um flamboyant que enfeitava a frente da casa da vovó Déa em Niterói. Lindas flores vermelhas que enchiam o ceu e depois cobriam o chão. A mangueira ja era grande quando fomos morar na casa da rua da Cascata na Tijuca. Dava sombra no quintal e deliciosas mangas do tipo espada com muito fio para prender nos dentes. As lembranças estão em todos os lugares e para virem à tona é só olhar a minha volta.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O professor

Hoje enquanto tomava banho lembrei que era Dia do Professor. Muitos vieram à lembrança, professores de todos os dias, pessoas com quem compartilho a vida. Amigos no trabalho, amigos em casa, aprendo com eles sempre. Profissionais com quem convivi e convivo, mas à uma pessoa em especial dedico o dia de hoje. Não sei se ainda esta entre nós, Prof Delcio Capistrano, meu mestre em português na 3a e 4a serie do ginásio. Era negro, corpo alto e magro, andava devagar, tinha mais de 60 anos num tempo em que nesta idade já consierávamos velhos. Comn seu jeito muito simples, fala mansa, em agum momento percebeu que eu gostava de escrever. Crou um concurso de redação na escola e além do pimeiro lugar ganhei como prêmio o livro Espumas Flutuantes, de Castro Alves. Foi dele a indicaçao para que eu fosse oradora da turma de fomandas do Colegio Batista Brasileiro em 63. E naquela epoca eu sonhava em ser tanta coisa menos jornalista. Devia ter ficado atenta aos sinais da vida, mas não sabia sobre isso. Tudo é óbvio e claro no caminho. Aprendi isso com o tempo, na verdade outro grande professor a quem dedico estes escritos de hoje, feitos enquanto espero o almoço chegar, sozinha na mesa de um restaurante.

Léa Penteado enviado do meu Blackberry

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os golfinhos

So eu mesma para saber que neste mar estavam os golfinhos. Eles estavam por aí esta manhã.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

O presente

Sai para me despedir da praia, pouco mais de 7 da manhã, sol queimando. Maré baixa, tenho o sentimento de que o mar se transformou numa enorme banheira com água macia. E admirando o brilho do sol no mar me surpreendo com os golfinhos pulando as ondas. Não creio. Fixo mais o olhar e la estão eles atras dos peixes fazendo festa. Recebo com um aceno de volte sempre. E voltarei, afinal a minha casa esta aqui em Vila de Sto Andre.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

Bom dia

Ainda amanheci em casa. Que dia ! Trilha sonora da paisagem: ondas do mar e passarinhos. Hj como em todos os dias da minha vida vou ser mto feliz.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

mar

Em teste... Ser que consigo postar via blackberry? O mar não esta em teste, sou eu que tento e tento. Um dia consigo

Em fase de experimento

Depois de um sabado de chuva, um domingo nublado, segundou deslumbrantemente! Eu merecia esse sol e esse mar... Testando + uma vez blogger via blackberry. Um dia aprendo como tudo na vida.
Léa Penteado enviado do meu Blackberry

sábado, 10 de outubro de 2009

O quintal


Antes de morar em Vila de Sto Andre, quando a casa era do meu irmão Victor e visitava nas férias, ficava admirada com as árvores no quintal. Plantadas como em um circulo com um coqueiro no centro, ficava horas deitada em uma rede e admirando o movimento das folhas em contraste com o azul do céu. Quando perguntava ao meu irmão de quais espécies eram, ele respondia com seu jeito muito próprio, sarcástico e bem humorado : "são árvores de mato..." O tempo passou, meu irmão partiu, acabei vindo morar em Sto Andre, comprando a casa e aprendi que cada uma dessas árvores tem nome, sobrenome e uma razão especial : são espécies que fazem parte do que um dia foi a mata Atlântica. São poucas, cuido com enorme carinho. Ja plantei outras tantas no quintal, mas estas preservo com atenção especial, afinal não é todo dia que se encontra árvore de mato.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

em casa

Atravessei na balsa de oh30m, um vento com o cheiro do mar e o enorme silencio da noite... As palmeiras refletidas nas águas do rio João de Tiba e fico ali olhando tudo como se poucas horas antes não estivesse assustada com o trânsito e o medo de perder o vôo em São Paulo...De um santo para outro em menos de 2 horas... Sto André aqui estou eu mais uma vez. Chego na casa em silencio, jardim iluminado, a grama cresceu, as árvores podadas ja mostram novos galhos... Chico e Pulga não me estranham, se espreguiçam como perguntando quem veio atrapalhar seus sonhos. Obrigada por esta vida...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Boas coisas da vida....

A aula na ECA-USP turma de produção teatral foi uma delicia. Como isso faz bem à minha alma. Obrigada alunos, obrigada Deolinda Vilhena que fez o convite... Vou escrever com calma sobre o que representa prá mim estas conversas com estudantes... Fica a foto, eu e alguns alunos...

Mas fica tambem mais abaixo a foto com a Vilma Muller, amiga que mora em Berlin e não encontrava há 35 anos... Uma historia longa, doída, inacreditável, que vale um livro, um filme, uma denúncia... Mas não sou eu quem pode escrever... A vida é dela, sou apenas testemunha de alguns momentos. Vilma é feliz e vive em Berlin há 8 anos... É quituteira de mão cheia, banqueteira que atende a Embaixada do Brasil, aos adidos militares e outras mesas elegantes. Reconstruiu sua história longe de onde viveu um pesadelo... Veio ao Brasil por 8 dias, jantamos juntas ... Marcamos num restaurante e quando estava chegando, atravessando a rua, vi uma mulher descendo de um taxi numa rua movimentada. Estava de costas, no escuro, gritei seu nome e ela veio correndo para um abraço. Como eu sabia que era ela ? Não sei. Nem a vi em fotos estes anos... O que a cada dia tenho mais certeza é que nunca sabemos o que representamos na vida de pessoas que passam por nós, as vezes rapidamente. Penso muito sobre isso. Sempre aparece alguém, reencontro amigos antigos que lembram fatos que estavam esquecidos. Eu fiz isso ? Como ? Quando ? Em qual vida ?
Com certeza uma das tantas que vivi nesta mesma, mas em outra "encadernação".


O retorno

Há mais de 20 anos conheci Deolinda Vilhena. Ela era divulgadora, secretária, fiel escudeira de Da. Bibi Ferreira. Muita água rolou em nossas vidas. Passaram-se anos, quase que "encadernações", e há uns 5 anos nos reencontramos virtualmente. Vivam as redes sociais ! A semana passada enviou um email querendo saber por onde eu andava. Acreditava que eu estivesse na Bahia no "dolce far niente" e tinha um convite sedutor : dar uma aula sobre Assessoria de Imprensa para a turma de Produção Teatral da ECA/USP. Mesmo que eu estivesse no sol de Vila de Sto André eu viria a SPaulo, tanto para rever Deolinda, jornalista, produtora, doutora em estudos teatrais pela Sorbonne, pós doutoranda em Teatro na ECA/USP, como pelo enorme prazer em contar histórias... Como eu gosto disso...
Depois eu conto o que rendeu...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O email do Eli

Eu ainda não pensava em ser jornalista quando conheci Eli Hafoun. Queria ser psicóloga, publicitária, alguma outra coisa que ja nem lembro... Eu tinha 20 anos, ele era jornalista reconhecido e por acaso fui ser sua secretária. Por pouco tempo, mas o suficiente para tomar gosto pelas letrinhas. Já nos perdemos varias vezes ao longo desses 40 anos, e recentemente nos encontramos no mundo virtual. Ontem ele mandou um email :
“Lea,
entrei no teu blog. Achei ótimo. Você é uma cronista da vida e escreve cada vez melhor e com sensibilidade repleta de amor. O beijo maior do eli halfoun”
Fiquei feliz com o elogio, mas também muito envergonhada por escrever tão pouco... Por conta dessa mensagem, prometi a mim mesmo que a partir de hoje, nem que seja uma frase eu vou colocar diariamente neste blog... Tenho escrito muito, mas apenas em meus pensamentos. Viajam entre os neurônios frases, teses, opiniões que acabam se perdendo no buraco negro do meu cérebro... Vou recuperar estes sonhos, obrigada Eli...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Passarinho urbano

A pequena varanda do apto em SP enfeitei com jardineiras de lirios brancos, coloquei a cadeira presente da Cacaia para sentar nos dias de sol e ler o jornal, e um pedaço de madeira no chão onde coloco mamão e banana para os passarinhos... Eles fazem a festa e eu adoro tomar o café ouvindo aquela barulhada de entre e sai ... Acontece que há alguns dias coloquei as frutas e eles não vieram...No dia seguinte as frutas continuavam intocáveis e nada deles...Fiquei preocupada com o que estaria acontecendo nas redondezas para sumirem ... No escritório, ainda com o assunto na cabeça, a ficha caiu. Bingo ! Cheguei em casa e vi um casaco pendurado na cadeira e uma calça como se estivesse sentada. Estavam úmidos, coloquei para secar e esqueci ... Retirei as roupas, deixei o mesmo mamão e no dia seguinte eles voltaram...Passarinho urbano é assim, tem medo de gente, e roupa na cadeira parece espantalho...

domingo, 6 de setembro de 2009

consegui!

Desde que o BlackBerry entrou na minha vida estou tentando escrever para o blog daqui. Acho que consegui. Olympia, agora vou estar em todos : twitter, facebook e blog. Vai ser mto mais facil! Era so uma questão de tempo para pesquisar e tive hoje, em Porto Alegre,enquanto espero para ir a festa de casamento Mariana e Cicão...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A vida pós Pilates

Sempre odiei ginástica. Lembro que na época do ginásio, ou melhor, quando cursava a 6a. ou 7a. série do ensino fundamental, ficava contando os dias para ficar menstruada e estar livre da aula de ginástica... Ao longo da vida, 3 ou 4 vezes me matriculei em academias de gináticas desistindo no primeiro mês... Certa vez, logo que voltei dos Estados Unidos, cheguei ao extremo de fazer a matrícula, comprar uniforme, para frequentar uma academia moderníssima/novíssima na Tijuca e não fui uma só vez... Mas depois dos 60 anos a vida muda...Na Bahia ando muito, subo e desço as escadas de casa, caminho na praia, ando pelo quintal, mas em São Paulo o máximo são 3 quadras, distância de casa para o escritorio. Refletindo sobre a longevidade das mulheres da minha família, vovó morreu aos 96, mamãe está com 90, resolvi fazer alguma coisa para chegar até lá com pique total e optei pelo Pilates... Mesmo sem saber muito bem do que se tratava saí procurando um espaço perto de casa e por acaso encontrei um em cima do supermercado... Recém inaugurado, com cheiro de novo, creio que fui uma das primeiras alunas... Nos primeiros dias tudo parecia impossível... Entre os desafios estava levantar o bumbum da cama... Rolamento prá frente ainda ia, mas para tras nem pensar... Segundo Luana, minha preofessora, era como se eu fosse um bloco compacto do quadril até o meio das costas... E era mesmo... Hoje no meio da aula a Luana pediu o telefone celular e registrou esta foto... Não precisa dizer que estou profundamente orgulhosa de mim mesma... Além de não doer nada, cada vez que saio da aula parece que tenho 2 m de altura... Sem contar que é o melhor remédio para a gripe de qualquer genero pois o campo de concentração onde Joseph Pilates ficou na 1a. guerra mundial e onde desenvolveu o projeto reconhecido como Pilates, foi o único não atingido pela gripe espanhola. Todos faziam os exercícios que podem parecer meio malucos, mas são geniais...Aguardem os meus próximos passos...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O meu amigo Roberto


Foi no cursinho vestibular que conheci meu amigo Roberto. Eu pensava em ser psicóloga e ele economista. Nestes 47 anos nos perdemos e nos achamos. Casamos e descasamos, tivemos filhos, mudamos de cidades, de país, e de alguma forma nos encontrávamos. Na verdade nos últimos 5 anos estamos conectados via email e ontem jantamos juntos num japonês bem perto do apt. paulista. Meu amigo Roberto é um super administrador de empresa, com MBA em marketing do tempo em que esta formação era feita apenas em universidades americanas. Quando estávamos no cursinho, passamos juntos por uma história tão incrível que fico imensamente feliz de tê-lo como testemunha, pois às vezes temo contar para alguém e acharem que é delírio.
Tínhamos um colega no cursinho que era de uma família muito importante, mas aos 17 anos – éramos menores de idade !!! não tínhamos a menor noção de quem era quem, só importava o aniversário do Leo e a farra do jantar em sua casa. Meu amigo Roberto morava em Copacabana, perto da casa do Leo, eu morava na Tijuca e lembro que papai me levou de carro e ainda dei carona pra Ângela. Não lembro como voltaríamos, mas algum esquema estava armado, pois não andávamos soltas na madrugada. O apartamento do Leo era enorme, corredores largos parecia uma galeria de arte, apinhado de quadros, quase não víamos a parede, eram muitos Portinaris e Picassos... Depois do jantar servido, estrogonofe., sucesso na época, a sobremesa foi especialíssima: Chico Buarque ao vivo acompanhado do violão! Chico já tinha dois LPs com canções que sabíamos de cor e salteado. No primeiro de 65 : Roda Viva, Retrato em Branco e Preto, Funeral de um lavrador, Januaria, Carolina, O Desencontro, Sem Fantasia, Até Pensei... E no segundo A Banda, Tem Mais Samba, A Rita, Madalena foi pro Mar, Pedro Pedreiro, Juca, Olé Olá, Meu Refrão....Ele e nós cantamos tudo...Ficamos extasiados, era inacreditável... Chico já começava a ser um Chico de respeito...
Lembramos esta historia ontem e lembraremos sempre que nos encontrarmos... Uma lástima que ainda naquela época não existiam as cameras digitais, acho que ninguém fez foto... Alguns anos depois entendi de onde vinha o prestígio dos pais de Leo: eram acionistas da revista O Cruzeiro. Não sei por onde anda a turma do cursinho Bahiense de 1966. Ângela, a querida amiga, partiu em 1991. Teve uma parada cardíaca aos 41 anos. De tudo isto ficou a cena que ainda lembro perfeitamente de um Chico tímido com o violão, e ficou também o meu amigo Roberto, com quem posso dividir essa e outras memórias.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

O latido na madrugada


Acordo na madrugada com o latido de um cão, grosso e rouco, penso que é o Xico. Por alguns segundos me sinto na Bahia, mas rapidamente caio na real e sinto o peso do cobertor. Tem feito muito frio. Já peguei muitos invernos, talvez piores do que esse. Três em Nova York com muito neve. Um em Lisboa, sem neve mas com um vento vindo do Tejo que congelava a alma... Na TV uma reportagem fala sobre a depressão nestes dias cinzas. De manhã olho pela janela e ainda é noite quando saio para me esticar no pilates. Já são quase 7 horas, muita gente na fila do ônibus, entra e sai na igreja. Não temo por isso.... Quanto mais faz frio mais olho para as fotos de Santo André e sei que qualquer dia eu volto...

domingo, 26 de julho de 2009

e por falar em passarinhos

Fim de semana passada em Vila de Santo André, Fabinho mostrou um ninho de beija flor na amendoeira frente ao mar na Pousada Victor Hugo... Um luxo ! Super visual do ninho... Mamãe cuidadosa traz comidas diversas vezes por dia... Claudia subiu na mesa para fazer a foto... O ninho e a amendoeira sorrindo para o mar... Eita vida dificil!

Meus passarinhos


Entre as boas coisas de viver em Vila de Santo André é estar em contato com a natureza. Sempre tive plantas em casa, carrego vasinhos para os lugares onde trabalho, mas este contato profundo e diário foi um presente dos céus....Moro cercada de árvores e durante quatro anos aprendi a reconhecer o canto dos passarinhos, distinguir o pardal do sabiá, acompanhar um urutau que se instalou no jardim por muitas semanas, a sentir falta dos cardeiais que durante um tempo sumiram do jardim, e a me deliciar com a alegria do sanhaço azul, a ouvir os bem-te-vis na varanda ... Os beija-flores com seu rabo de tesoura, todos os dias, por volta das 10 da manhã vem namorar os hibiscos. E ainda tem as andorinhas que chegam em bando no fim do dia e parecem papel picado no céu, as maritacas que fazem barulho de manhã e a tarde, as corujas piando na madrugada, o sangue de boi, vermelhinho com bico branco que é um escandalo de beleza, só superado pelo tom laranja do "sofrê".

Costumo dizer que Deus fala comigo através dos pássaros e das borboletas, por isso num dos primeiros dias que cheguei para morar em São Paulo e um passarinho e uma borboleta foram me acompanhando na rua, recebi o fato como bom presságio. No apartamento em que moro no bairro do Itai Bibi tem uma pequena varanda onde coloquei algumas plantas e percebi que mesmo no alto do 11andar uns passarinhos ousavam chegar. Como faço na Bahia, passei a colocar a casca do mamão todas as manhãs e hoje a minha varanda é visitada por muitos passarinhos... Até mesmo em dia de chuva ! O zelador do prédio disse que eles fazem sujeira nas varandas, e eu tento explicar que prefiro esta sujeira que a poluição dos carros e ônibus, e fico feliz com os pedacinhos de mamão que deixam cair no chão... Assim sinto que estou em casa A foto não é das melhores, mas dá para ver...

Algumas coisas... Maracanã

As TVs ja mostraram, os jornais publicaram, as pessoas falaram...
E eu estava lá e não mostrei, não publiquei nem falei...
Mas queria deixar aqui só uma coisinha : um encontro que vi de longe no ensaio do maravilhoso show de 50 anos de música do Roberto Carlos no Maracanã dia 11 de julho...
Um encontro delicado, verdadeiro e profundo... Os três amigos ensaiando no palco como se mais de 40 anos não tivessem passado...Feliz os três por estarem seguindo a vida com sucesso, cada um no seu tamanho, com sua historia... Todos respeitados, queridos e felizes...Roberto, Erasmo e Wandeca... na ponta do piano, Wanderley... Foto : Cláudia Schembri

Algumas coisas... Copacabana


Quatro dias em Copacabana esperando o show no Maracanã... Faz sol na sexta-feira, estou em um hotel na Xavier da Silveira, só 2 quadras da praia e vejo que na mala só levei roupa de trabalho... Tenho a manhã de folga, compro biquine e camiseta - não levei nem a havaiana! - e saio pra caminhar na praia, a mesma por onde passei tantas vezes, indo e vindo da Santa Clara ao Posto 6, refletindo com meus botões... O que me afligia, o que eu queria ? Nem lembro mais...

Lembro do cheiro da maresia, dos bons momentos e é muito bom rever Copacabana o lugar mais democático do planeta ... Pós feriado 9 de julho para os paulistas, a praia está repleta de turistas... Tem os mesmos vendedores de biscoito Globo, Mate Leão, canga, chapéu...

Nas muitas lembranças, além do apartamento na Av. Atlantica onde morei, um cenário deslumbrante da orla, do colar de pérolas que forma Copacabana, lembro um domingo de manhã em 1992, andando com um amigo ouvi a confidência de que ele ia lançar um livro e venderia 100 mil exemplares. Não ri por respeito. Nos anos 90 não se vendia tanto livro, ainda não havia o boom da literatura do Paulo Coelho. Tentei confortá-lo sobre o mercado editorial, mas ele se manteve irredutível. Não vendeu 100 mil livros, vendeu mais de 2 milhões ! Ele se chama Lair Ribeiro e o livro é "O Sucessso não ocorre por acaso". Ainda bem que não ouviu meu palpite e seguiu seus sonhos...

Algumas coisas...

que tenho pensado e não tenho escrito... as palavras correm rapidas na mente, vão de um lado para o outro, juntam-se em frases e os textos acabam ficando só em mim... preciso colocar prá fora, em qualquer formato, para dar espaço a outros pensamentos que vão chegando, se juntando até abrir um lugar para serem colocadas... uma constante de criar e desabar...

domingo, 5 de julho de 2009

Meus cabelos


Descobri que tenho um problema com meus cabelos. Não percebo como influencia do sobrenome. Se eu fosse apenas Viana, sobrenome de minha mãe, ou Souza Cardoso, do tempo de casada, o problema estaria lá. Já fiz algumas loucuras nas tonalidades como tentar deixar de ser loura, ficar 12 horas ruiva com uma seqüente tonalidade cenoura... Fui loura tantos anos que até na foto da carteira de identidade estou assim... Fui morena de longas madeixas encaracoladas como as da Gal Costa. Usei muitos anos cabelos curtos, passei a máquina duas vezes e finalmente há 7 anos assumi os grisalhos. Fui bem feliz com eles, assumi os brancos, mas como todos dizem que envelhece demais, aceitei a sugestão e fiz trevas – o inverso de luzes – finos fios escuros que misturados com os grisalhos rejuvenescem. Cortei cabelo com gilete em cabeleireiros desconhecidos em várias cidades do mundo.
Quando achei que estava resolvida com esta questão, tive uma recaída. Tenho muito cabelo e quando começa a crescer sinto como se estivesse com um capacete que me faz parecer D. Léa. Algo tão comportado que só falta colocar spray. E quando isso acontece saio desesperada em busca de um cabelo mais informal. Ontem tive esse ataque. SaÍ andando pelo Itaim olhando os cabeleireiros, procurando algo que me agradasse até que encontrei um convidativo. Uma vitrine com fotos de cabelos modernos e a placa informava hair design. Tudo o que eu queria! Fui recebida por uma japonesa simpática que lavou meus cabelos com massagem no couro cabeludo, e quando sentei frente ao espelho surgiu o hair stylist. Um japonês de óculos andando com uma certa dificuldade e falando com mais dificuldade ainda. A princípio pensei que não entendia português e com isso fui explicando à assistente que queria desbastar para tirar o volume, manter o comprimento e picotar um pouco em cima. Uma coisa mais cosmopolita e desestruturada. O máximo ter um hayr stylist importado do Japão ! Antes de pegar a tesoura ele tirou os óculos, e enquanto fazia profundas entradas da tesoura para tirar o volume pensava com meus botões : “que sorte ter encontrado sozinha, sem referências da Cacaia, um profissional tão competente. Já sou quase uma paulista...” Mas enquanto ele ia cortando eu tentava fugir do pânico. Ele falava português sim, mas era fanho... E com um jeito meio tresloucado foi picotando o cabelo e eu tentava acreditar que ia ficar ótimo... Ficou sim, um caos. Desestruturado, como sugeri. Um grande buraco no cocoruto, o comprimento mantido sim, mas com jeito de chitãozinho e xororó ou mullets. Tirou todas as trevas que fiz a semana passada, fiquei grisalha de novo. A única certeza : meu cabelo cresce muito rápido.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Carteira de Trabalho


Foi dificil de encontrar. Estava dentro de uma velha pasta junto com a certidão de nascimento, o atestado de separação consensual, o passaporte com visto de estudante para os Estados Unidos, PIS/PASEP, velhos documentos bancários. E lá estava ela, azul envelhecida, dificil de ler em caixa alta MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDENCIA SOCIAL - Departamento Nacional de Mão de Obra, o brasão da república e mais abaixo CARTEIRA DE TRABALHO. Não foi a primeira, esta é datada de 1974 e lá está a minha foto com olhar assustado.
Tento lembrar o que esperava da vida, pela data me reencontro num apartamento de dois quartos na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, já separada com um filho de quase dois anos para criar... Sem medo de qualquer coisa, nem "de febre alta em criança" como me disse uma vez Elis Regina ...
E nesta carteira está um pedaço do que construí profissionalmente : TV Estudio Produção (Programa Flavio Cavalcanti), Bloch Editores, Editora Abril, Empresa Jornalística Brasileira (O Globo) e parou na TV Globo em 1986.. De lá prá cá quanta água rolou ! E hoje a recebo de volta assinada pela DC Set... Por questões legais como estarei aqui até abril de 2o10 optaram assim e creio que esta será a ultima assinatura...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

E mail para um amigo

Querido amigo Paulo

Há cinco anos mandei um e-mail contando que estava dando uma virada na vida, e me sentia como uma acrobata se atirando de um trapézio sem rede de segurança... Deixava a vida estabilizada de muitos anos entre Rio e São Paulo para me atirar no nada em uma vila de pescadores no sul da Bahia... Você respondeu ao email dizendo: pode se atirar que seus amigos estarão embaixo para amparar na hora da queda.
Pois bem, o tempo senhor da razão, mostrou que o salto foi para novas descobertas, caminho surpreendente, e assim segui até o ano passado quando me içaram por um período de 4 meses na civilização. Foi muito bom e voltei este ano para um período mais longo, agora até abril de 2010. Nada me aflige, sei que como na canção do Tom e do Chico, “vou voltar sei que ainda vou voltar para o meu lugar...”
Entretanto hoje pela manhã vivi literalmente a experiência de acrobata em trapézio. Para substituir o sobe desce das escadas de casa, o caminhar pelo quintal e pela praia, resolvi fazer Pilates. E tenho esticado tanto que às vezes acho que vou me desmantelar inteira, com um pedaço em cada canto e nunca mais vou conseguir juntar pernas e braços. Puxa, estica, respira, encolhe a barriga... E hoje a Luana, minha professora, resolveu pendurar parte de mim num trapézio. Apenas a perna, mas ela diz que qualquer dia eu sento lá... E foi por isso que lembrei de você... Estou viva, voando, me esticando e feliz... Quando partir para o salto triplo aviso com antecedência...
Beijos saudosos
Léa
(foto : Paulo, eu e Cristina, fevereiro de 2004 - Tarbes, França)
Resposta do Paulo

querida Lea
sou eu agora quem está, parcialmente, em um periodo de reflexao. Nao saio da civilizaçao porque tenho a internet e muitas comunidades sociais, mas fico mais ou menos isolado. Isso dito, acho que fazer exercicios muito puxados(eu caminho todos os dias) nao é exatamente muito indicado. Penso que Michael Jackson se perdeu por aí. Piano piano se va lontano beijos

sábado, 27 de junho de 2009

Por onde andaram os meus dias

Levei um susto quando percebi que hoje é 27 de junho... Todos os dias vejo as datas na agenda, na folhinha atrás da porta do banheiro com mensagens de paz, no relogio digital, no telefone, enfim, eu penso que sei o dia que estou vivendo... Penso, apenas isso... Mas não dou conta de como os dias escorrem pelos meus relogios telefones agenda computadores sem que eu dê a eles um minutos especial de atenção como faço hoje neste dia 27... Nada de especial nesta data... Não lembro de algo a comemorar a não ser a propria vida... Tento lembrar de como passei os outros 59 dias 27 de junho em minha vida... Foram dois vivendo em verões de Nova York. Posso ter andado de bicicleta na volta do trabalho, ou ficado esticada em alguma praça sentindo o sol, ou tomando vinho numa noite fresca em algum bar... Será que foi num desses dias que sai com uma roupa tão colorida que todos me olhavam na rua ? Eu era a propria cucaracha, mas fiquei tão feliz com o calor que extrapolei...
Em um 27 de junho estava em Portugal, fazendo o que meu Deus ???
E os 27 de junhos na dolescencia, algum especial ? alguma festa junina na programação ?
Porque não lembro de todos os meus dias... Onde foram parar os dias 28, 29, 30 e todos os outros dos 12 meses dos meus 60 anos....
Onde estão as primaveras, os verões, os outonos e os invernos ?
Queria ter todos guardados com detalhes...Prometo que daqui pra frente vou dar um pouco de tempo e pensar por onde andaram os meus dias...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pensando

"As máquinas, um dia, talvez venham a pensar. Mas nunca terão sonhos".
Theodor Heuss (1884-1963), político alemão, ex-presidente da Alemanha Federal.

domingo, 21 de junho de 2009

Coisas de casa

A maré subiu demais nas ultimas semanas. Pequenas falésias surgiram em alguns trechos da praia. A maré vai subir de novo, trazer a areia e consertar o degráu que deixou. Tudo isso antes do verão. A natureza é sábia, só não percebe quem não tem tempo para ver o movimento da vida...Sempre tem uma rosa nova no jardim... O ano inteiro ganho este presente... Não sei quem plantou esta roseira, quando cheguei ja existia, multipliquei as mudas e continuam florindo... Quem plantou, agradeço imensamente...

Sol de verão, chegou o inverno

Três dias de sol. Um presente ! Três noites estreladas e frescas. Uma colcha basta para cobrir o corpo na hora de dormir. Um silêncio explêndido. Barulho do mar, do vento nas folhas das árvores, dos passarinhos... Eu merecia este presente ! Caminho na praia, mergulho, deito na areia... Puro prana... Estou em casa. (Foto : a flor do cactus by blackberry)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Rio do alto

Vejo o Rio do alto e é tão lindo. O avião chega pela zona sul, sobrevoa a Praia de Botafogo, Pão de Açucar ao longe, vamos chegando ao Aterro com a vista da Av. Rui Barbosa, viajo nos lugares por onde tanto caminhei... O prédio baixinho na Praia do Flamengo onde morei, o antigo restaurante Rio’s hoje Porcão, o Teatro de Marionetes e do céu vou pisando pelo parque... O Rio é lindo, como na musica do Hermínio Bello de Carvalho, “visto assim do alto mais parece um céu no chão”... Tenho deliciosas lembranças, mas não quero voltar... O perfume das flores das árvores de abricó de macaco quase que entram pela janela do avião... Como eram boas as tardes de inverno quando andava pelo sol... Isto é uma página escrita, virada... Uma das tantas vidas que já vivi...
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Mamãe voce está linda, sentada sozinha na cama ! Que sucesso heim, mamãe ? Cada dia melhor... Não faz esta carinha de pouco caso, você está dando a volta na vida... Como passar pelo Rio e não vir te ver nem que seja um pouquinho... Mamãe, acho que aos 90 voce está começando a gostar dessa briga pela vida... Vamos firme mamãe, não tenha pressa de sair correndo pela casa com o andador, nem comprar uma cadeira de rodas... Qualquer dia você vai estar novamente andando sozinha... Esta mulheres da família Vianna tem estofo, são forte... Vovó chegou aos 97 mamãe, vamos lá...
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Corrigindo : "Como uma Onda" não é obra do Lulu Santos, é do Nelson Motta...Obrigada pela ajuda Rosinei...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Panta Rei

Minha prima Thays, que conheci na infância e na maturidade nos reencontramos em afinidades, mandou as fotos abaixo. Um trabalho impressionante dos monges budistas que com cuidado e dedicação fazem mandalas de sal colorido para serem desmanchadas logo depois de prontas demonstrando a transitoriedade das coisas na vida. Um exercício para mostrar que mesmo que alguma coisa exija o maior esforço para ser feita, pode sumir como a fumaça no ar.
"Panta Rei" é uma expressão do pensador Heráclito, que significa 'TUDO MUDA' (tudo flui, nada persiste) – usada como metáfora filosófica o pisar num Rio que, num milésimo de segundo, depois de pisado, já não era mais feito da mesma água.
Como escreveu Lulu Santos “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia... tudo passa, tudo sempre passará... a vida vem em ondas como um mar... num indo e vindo infinito... tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo.. tudo muda o tempo todo no mundo..."

domingo, 14 de junho de 2009

De Herbert à Cacilda

Zapeando a tv no meio da tarde sábado deparo com uma cena que a princípio achei insólita : os Paralamas no programa Raul Gil. Lá estavam Herbert, Bi e Barone assistindo um desfilar de jovens talentos interpretando suas canções, intercalados com depoimentos de amigos da vida toda e o Raul com seu microfone de ouro pendurado no pescoço num sorriso de satisfação total. “Puxa vida, os Paralamas no meu programa, vocês estão pensando o que ?”era isso que parecia dizer na entrelinhas. E ali fiquei vendo as músicas referencia ao rock nacional nos últimos quase 30 anos, os depoimentos de roqueiros que jamais imaginei que zapeassem o Raul e os agradecimentos emocionados do Herbert e seus “irmãos”. E no final, como todo programa homenagem que se preze as mães, os irmãos, as mulheres e os filhos mandaram recados singelos e profundos. Herbert, Bi e Barone choraram. Eu e o Brasil que viu também.
Fiquei refletindo na importância da TV aberta. Nada disso funcionaria na MTV, ou no Multishow. Para fazer TV emoção não se pode temer a breguice, é preciso desprendimento. E ali no palco estavam as verdades de Raul e os Paralamas, cada um com a sua e totalmente coerentes. O Herbert cadeirante ficou nos meus pensamentos até hoje abrir a Folha de São Paulo e encontrar uma bela matéria na coluna da Mônica Bérgamo na Ilustrada (entrevista a Diógenes Campanha). As fotos mostrando o enfermeiro empurrando a cadeira rampa acima para entrar no palco, os comentários doces do artista sobre a sua limitação física... Fala sobre a vida sexual desde a morte da mulher há 8 anos. “A minha vida sexual com a Linda foi absolutamente linda, maravilhosa, mesmo. Eu não sinto aquele drive tarado, a energia foi canalizada para a música”. Reza com os filhos antes de dormir. “O que sempre tive de mais precioso foi o convívio com meus filhos.” Divide os quartos de hotel com o enfermeiro. Enfim, vida que segue, que cria e que o leva aos palcos em mais de 180 shows nos próximos 2 anos.
Entretanto o mais incrível é que outro lado da página com a entrevista do Herbert estava a lembrança de Cacilda Becker nos 40anos de sua morte. Não vi Cacilda em cena. Foi grande estrela do teatro brasileiro e morreu aos 48 anos devido a um aneurisma. Começou a passar mal em cena, mais de 40 dias em hospital e se foi no dia 14 de junho de 69. Encarou a ditadura militar, protegeu colegas e até hoje é referencia. Quando grande estrela eu ainda tateava no jornalismo. Mas duas frases de sua autoria acompanham a minha vida.
“Não me faça fazer de graça a única coisa que sei fazer cobrando.” Ela se referia ao teatro e eu aos meus textos, minhas ações de assessora de imprensa, criadora de projetos, que hoje uso de forma menos rígida do que aos 30 anos. E a outra frase, faz parte do meu hoje : “Tomei a decisão de sacrificar tudo pela minha carreira. Acho que valeu a pena.”
Que belo fim de semana paulistão!

sábado, 13 de junho de 2009

'A MENTE QUE SE ABRE A UMA IDÉIA, JAMAIS VOLTA AO SEU TAMANHO ORIGINAL'.
EINSTEIN

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O canto da noite

Comecei a fechar as 9 janelas e portas da parte debaixo da casa numa cerimônia que se repete a cada noite antes de ir domir, quando ouvi o canto de uma cigarra. Continuei a fazer o movimento e com alguma criatividade procuro uma forma que não se torne automático. Cada vez quero deixar a vida rolando sem repetir os mesmos gestos. Às vezes escolho primeiro as portas que dão para o jardim e a varanda, deixando por ultimo as janelas do escritório; outras inicio nas pequenas janelas do banheiro e do corredor e depois venho fechando as demais. Não importa qual a ordem, vou fazendo um revezamento descontrolado, mas a verdade é que invento uma pequena prece de agradecimento por aquele dia que está terminando. Sei que pode parecer maluquice, mas as janelas e portas de minha casa, assim como as da minha alma, passam o dia abertas para um jardim lindo, cercado de tantas árvores que algumas pessoas já disseram que do portão nem conseguem ver a casa... A minha alma também é assim. Faço tanto estardalhaço, falo mais que a boca e muitas vezes não revelo a minha essência.
No ritual silencioso de fechar portas e janelas agradeço a delicia de viver junto à natureza, esta noite, especialmente, a concentração estava dificil. A todo instante era interrompida pela cigarra que a princípio pensei estar em algum lugar do jardim próximo a casa, mas com tudo fechado constantei que estava dentro de casa. Tentei encontrar, mas desisti. Fui dormir deixando a cigarra provavelmtene na sala, no vão da escada...
Gritou, ou como alguns preferem dizer de forma poética, cantou a noite toda... Fechei a porta, coloquei o travesseiro na cabeça para abafar o som e só consegui dormir ao lembrar que o seu cantar significava sol no dia seguinte e há alguns dias chovia. Acordei afastando os móveis até me deparar com a cigarra morta. Explodiu com seu canto. É o que acontece com esses insetos...
Vendo aquela cena não consegui resistir a criar um paralelo com a vida das cantoras líricas e imaginei Maria Callas no final de uma récita implodindo no palco do Scala de Milão... Primeiro a garganta se dilataria e estourariam os fios que uniam as sofisticadas pérolas japonesas de um colar parecido com o que Marilyn Monroe ganhou de seu marido Joe di Maggio. Uma a uma as legítimas pérolas cultivadas saiam rolando pelo chão, caindo palco abaixo como um pequeno filete de água, ganhando o tapete fino da platéia e caindo no fosso dos músicos, para incredulidade do maestro… Depois, o pulmão cada vez mais inchado, fazia explodir o sutiã, começando aí a desestruturação do vestido de seda grená. O tecido ia esgarçando até rasgar, ao mesmo tempo que rompia a carne entre os seios de onde pulava o coração exausto de cantar... A platéia de pé aplaudia a cena inusitada e pedia um bis impossível…Uma cena tragicômica, mas era o que passava em minha cabeça enquanto olhava a cigarra morta embaixo do sofá...
Gritar até morrer, tem muita gente que faz isso. Acho que tentei algumas vezes, sem resultado. Chorei tanto, gritei tanto, mas só fiquei muito rouca e no desespero consegui ficar lucida e me restabelecer. Acabei preferindo o silencio, a reflexão, e na serenidade sou levada à viagens inesquecíveis dentro de mim. Viajo mesmo, mais longe do que qualquer psicotropico ou ácido sonham chegar. Já me senti voando, o corpo expandindo, braços e pernas crescendo como se fosse aquele personagem João Pé de Feijão que numa corrida atravessa as nuvens e chega ao céu… Eu também subo montanhas, atravesso rios, cruzo mares e do alto vejo tudo tão pequeno e peço : Senhor, livre me de qualquer sentimento de medo e abra as janelas de minha alma e do meu coração para que eu possa sentir a verdade da vida nos minusculos seres, como as pequena cigarras.

Em tempo : a janela não é da minha casa. É da Casa de Câmara e Cadeia, no alto do Centro Historico de Santa Cruz Cabrália. Ali está o Arquivo Municipal. Quando Secretária de Cultura de Cabrália fui responsável por seu fechamento para visitação devido ao estado lastimável...Foto : Cláudia Schembri.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Email para querida leila

Minha amiga Leila manda um artigo lindo publicado na revista Exame onde o colunista Adriano Silva, diante do desastre do vôo da Air France sugere que todos aproveitem bem o dia e termina dizendo "Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje. "
Tão óbvio prá mim, que respondi a minha querida amiga Leila :
Acredito piamente em tudo isso...
Agora que voltei à civilização, afinal foram mais de 4 anos no meio de um nada que é tudo, pude perceber quanto aprendi dando comida para os passarinhos, acompanhando a subida das marés pela posição da lua, podando as árvores no inverno, fazendo crochê ou bordando e jogando paciencia no computador...tenho a mais perfeita consciência de que a única coisa que me pertence é a vida que levo hoje, aqui e agora...E me pertence enquanto estou respirando com meus próprios pulmões... O resto minha amiga, são detalhes ... A roupa se rasga, um dia voce perde aquele brinco de ouro que gostava tanto num mergulho mais profundo, os papéis ficam amarelecidos, e por aí vai...Voce nao pode imaginar como isso tem sido tão importante quando me vejo a frente dos contratos de 20 mulheres que querem cantar com Ele e exigem milhões de quinquilharias...Ó Senhor ! Nada vale, tudo se perde e nós nos transformamos...bjs e saudades
Em tempo : a foto não tem nada a ver com o texto, mas era a que eu tinha neste computador... É o meu bom velhinho Pulga, quase 13 anos, que conquistou uma bela aposentadoria morando em Santo André.

domingo, 7 de junho de 2009

filosofando

Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo.
John Donne

sábado, 6 de junho de 2009

As pernas da Hebe


Há duas semanas, durante o ensaio do show Elas Cantam Roberto no Theatro Municipal de São Paulo, fiquei passada ao ver as pernas da Hebe... Com um vestido que deixava o joelho de fora, do alto de uma sandália salto 10, sem meias, era um sucesso... Não apenas pelo bom humor, alegria e prazer contagiante em estar ali, mas pela elegancia em ficar sob um salto com uma tranquilidade como se estivesse arrastando uma sandalinha... E tudo isso aos 80 anos !

Sentada na platéia fiquei olhando o movimento da grande estrela da TV brasileira, circulando entre 19 cantoras muito à vontade ... Um jeito de quem conhece palco e sabe estar entre estrelas, nem se preocupando em se mostrar como uma delas, pois ela é...

Antes de terminar o ensaio, ja passava da meia noite quando cheguei perto, ganhei um abraço e comentei sobre a beleza das suas pernas...Ela riu, disse que obra de Deus... Certamente... É obra, privilégio e graça da natureza... Mas fiquei estes dias pensando que nunca ter saído do salto, deve ter sido uma das razões de manter as pernas firmes... Ah! como lamento não conseguir mais ficar num salto alto! Culpa das havaianas e dos tenis. Mas agora não tem retorno...

sábado, 30 de maio de 2009

o melhor lugar do mundo



o jardim está cuidado... os hibiscos, as samambaias que cresceram no dendezeiro, o patio visto do alto, as taiobas que crescem no jardim... estou em casa... o melhor lougar do mundo é aqui...


De volta prá casa

Saio de sampa com chuva fina e frio, chego em casa com noite estrelada. Na madrugada muita chuva... Ah! meu Deus ! 40 dias fora de casa e ainda com chuva ?? Amanhece com sol...Obrigada Senhor ! a casinha

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Mamãe...

Mamãe, a vida é transformação, é aprendizado... Não mamãe, impossível que nada mais exista quando a gente morre, quando este coração para de bater, quando a respiração acaba...
Ufa! Mamãe,respira comigo, presta atenção e me diz : você acha que somos como pequenas formiguinhas que acabamos como se a unha do polegar nos espremesse em cima da mesa, assim como você está fazendo ? Mamãe, a vida não pode ser só isso... E todo esse equipamento que temos, esta sofisticação de neuronios e sistemas que nenhuma tecnologia conseguiu clonar e nos faz ser matéria vai acabar assim, espremido entre a unha e a madeira da mesa da cozinha, como você me mostra agora ?
Ah ! mamãe, você nunca me falou de morte, nunca me falou de outras vidas, nem mesmo apenas desta vida... Mas eu andei olhando pelo mundo e aprendi, li e ouvi que somos muito mais do que isto.. Somos elementos em movimento como a vegetação... Você compreende mamãe que as folhas nascem, caem se transformam em sementes, também em adubo e voltam outras árvores e flores ? Lembra mamãe... Nós também somos assim... Escuta mamãe, sem medo, vivemos em movimento... Não dói, é a vida mamãe...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O rádio da Rosalina

Cresci ouvindo rádio, música caipira e notícias do mundo, no rádio da Rosalina. Ela era magra, pequena, trabalhava na minha família há muitos anos e tinha como relíquia um pequeno rádio. Naquele tempo não havia rádios à pilha, era uma pequena caixa de madeira laqueada em tom marfim e na frente tinha uma telinha de tecido marrom por onde saía o som e um dial de plástico com os números das estações em AM, ondas médias e curtas, assim o locutor falava. Funcionava com válvulas, tinha um curto fio de borracha escura e Rosalina fazia todo o serviço da casa ouvindo o rádio que era transportado por todos os cômodos. Um rádio móvel que procurava saídas de energia para se instalar. Haviam tomadas de porcelana por toda casa, quase que exclusiva para o rádio da Rosalina: no corredor do andar superior de onde saíam os quartos, na varanda da sala para que o som chegasse até o jardim e na cozinha. Bom, a cozinha era um caso à parte. Como ela passava ali grande parte do tempo, papai mandou fazer um nicho em cima da pia, uma espécie de altar em mármore onde o rádio ficava cantando e falando enquanto ela cozinhava o feijão mais cremoso que comi na minha vida e fritava bifes acebolados que ainda hoje, mesmo comendo pouquíssima carne vermelha, ainda me dá água na bola.
O quarto da Rosalina, no fundo do quintal era um lugar mágico. Chegava-se até lá passando por um cômodo mistura de depósito com espaço para passar roupa que era um encantamento para qualquer criança. Revistas velhas, malas de papelão guardadas umas dentro das outras, pedaços de trapos, móveis quebrados, abajur desmontado, tudo que não se tinha coragem de jogar fora ficava ali. Eu era capaz de passar dias naquele mundo garimpando preciosidades como botões perdidos no fundo de alguma caixa, pequenos vidros empoeirados perfeitos para compor o meu laboratório de experiências onde utilizava pedras de goma, anil e mercúrio cromo como matéria prima para fazer “comprimidos” que secavam ao sol. Mas para mim aquele lugar era só passagem. Qualquer movimento que denotasse alguma “pesquisa” era interrompido com um grito: “menina, não mexe aí...”.
Eu respirava fundo, atravessava aquele campo minado e o único consolo era saber que estava indo para um local ainda mais sedutor: o quarto da Rosalina. Duas camas de solteiro, uma dela, outra da filha, um armário velho cuja porta só era fechada com um solavanco e ajuda de um pedaço de papelão dobrado e preso na parte de cima, uma pequena estante que se salvou de um ataque de cupins, duas cadeiras de madeira e uma mesinha de cabeceira. Era na mesinha coberta por uma toalhinha de croché feita pela vovó, que ficava o rádio e de onde o som se espalhava saindo pela janela e passeando no meio das roupas no varal.
Quando meus pais saíam à noite, meus irmãos mais velhos ficavam dentro de casa e eu tinha o privilégio de ficar em seu quarto até a hora deles voltarem. Ela estendia uma colcha de retalhos muito limpa em sua cama e eu ficava deitada enquanto ela fazia saias godê guarda-chuva para a filha Araci, que preferia ficar dentro de casa com minha irmã mais velha. Rosalina era criativa na costura. Pegava a grande bacia de alumínio onde colocava as roupas de molho, limpava bem e emborcava em cima do tecido bem esticado no chão. Com um lápis riscava a circunferência da bacia, depois dobrava o tecido em quatro partes e bem no centro fazia um buraco onde seria a cintura. Era um trabalho de grande engenho e perícia, que jamais esqueci. Depois da saia cortada, Rosalina sentava em um canto do chão e costurava a mão, com a maior delicadeza. Fazia tudo isso ouvindo rádio.
Acontece que a relação de Rosalina com o rádio era ainda mais profunda e só muitos anos depois, acho que foi quando me apaixonei pela primeira vez, vim compreender o que acontecia. Em determinadas noites, Rosalina sentava ao lado do rádio e com muita paciência ficava rodando o dial até sintonizar uma radio no Paraná onde cantores locais se apresentavam. Quando o locutor anunciava “e agora com vocês Trajano Militão, o rei do violão” ela ficava lívida, como que hipnotizada, seu rosto não movia um músculo. Como na brincadeira de criança, ela virava estátua e eu sabia que estava viva, pois caiam lagrimas dos seus olhos. Não fungava, não se debatia, nem soluçava ou gemia. Apenas deixava a água rolar como se estivesse esvaziando o seu coração. Eu me encolhia na cama, ficava quieta esperando a música acabar e havia aprendido que depois do último acorde daquela canção caipira lamurienta, tudo voltava a ser como antes. Rosalina limpava os olhos, balançava a costura que tinha no colo como se sacudisse as lembranças e voltava atenção para a agulha. Às vezes me oferecia água da moringa num copo de plástico com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, outras tirava alguma bala do fundo de alguma caixinha como a premiar o meu bom comportamento neste momento tão intimo. Assisti essas cenas algumas vezes e jamais comentei em casa. Nem mesmo com sua filha que preferia ficar deitada em minha cama conversando sobre namorados com minha irmã.
Até que um dia Rosalina foi emagrecendo ainda mais e eu de longe acompanhava o movimento de saídas para o médico, até levaram-na para o hospital. Colocaram uma outra pessoa para ajudar nos serviços de casa e o rádio silenciou no quarto. Semanas depois papai chegou com a novidade que ia levar Rosalina para a cidade onde ela havia nascido. Em poucos dias arrumaram as malas, papai comprou passagens no trem leito e eu nem lembro quando saíram de casa. Acho que fizeram isso em algum momento em que eu estava na escola, pois quando voltei encontrei o seu quarto vazio. Os colchões enrolados em cima do estrado, a porta do armário caída, a estante apenas com a moringa de água e na mesinha de cabeceira a toalhinha de crochê. O rádio foi com ela, assim como seus sonhos e a esperança de reencontrar a voz que a fazia chorar. Um dia o telefone tocou, era alguém avisando que Rosalina tinha morrido. Mamãe então contou que quando descobriram o câncer era grande demais, não havia cura e fez o que ela pediu: voltar para o interior do Paraná e entregar a filha ao pai, o rei do violão Trajano Militão.

domingo, 24 de maio de 2009

A Chef

Amigos de amigos são meus amigos... Reghi e Lily me apresentaram Renata Braune, uma incrível chef de cuisine paulistana... Quem passar por sampa pode conhecer seu trabalho no Chef Rouge Restaurant ou em qualquer lugar do planeta no maravilhoso site www.vinhoegastronomia.com.br

Para quem tem fé


Meu amigo Jorge lembra que hoje é o dia de Santa Sara Kali, padroeira do povo cigano, a "Santa da fertilidade". Entendo a fertilidade de forma ampla : amigos, idéias, projetos, sonhos... Preciso muito ....Segue a sua oração.
"Santa Sara Kali, tu és a única Santa cigana do mundo. Tu que sofreste todas as formas de humilhação e preconceitos. Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar, para que morresse de sede e fome. Tu que sabes o que é medo, a fome, a mágoa e a dor no coração; não permita que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem. Ó Santa Sara atenda meu pedido: “Fazer o pedido”. Que tu sejas minha advogada diante de Deus. Que TU me concedas sorte, saúde e que abençoe minha vida, da minha família e dos meus amigos."

sábado, 23 de maio de 2009

Estreando...

Primeira foto feita com o meu Blackberry na loja da Tim... Claudia estreou o click... Agora ninguém me segura mais...

sábado, fim de tarde

Vista da varanda do apto. .. não sei se é Itaim Bibi ou Jardim Europa...a Cláudia fez a foto..

Lembranças

Estes tempos corridos vivendo em São Paulo têm me surpreendido... Os dias são mais curtos, mal amanhece já escurece, um outro relógio... Mas apesar desse novo contexto de viver sob pressão, tenho a sensação que o espaço mental expandiu... Talvez pelo volume de informações que recebo diariamente e tenho que processar, da mesma maneira que as molas dos aparelhos de Pilates se esticam, as lembranças de toda a vida são cada vez mais claras e próximas... Nada desaparece nem se perde, tudo se mantêm plenamente claro e lúcido...Há muito tenho o sentimento de que vivo muitas vidas em uma só. Se pudesse materializar, estas vidas estariam em livros, todos encadernados e bem colocados em uma estante, não sei se postos cronológicamente, e algumas vezes não lembro em que momento as historias começaram e acabaram. Mas estão lá, todas eu vivi e me recordo... Como esta foto...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Saudades de Santo André

Foto de Cláudia Schembri do rio João de Tiba, no fundo o mar...

Braços de fora

Joguei mais uma peça de roupa em cima da cama e só então percebi que o guarda-roupa estava praticamente vazio. Saias, vestidos, blusas, calças, xales, lenços, formavam uma enorme montanha no mais autêntico estilo nada serve, nada combina. Depois de meia hora desfilando frente ao espelho para encontrar uma roupinha simples para ir ao cinema a ficha caiu. O problema não estava na cintura que aumentou uns centímetros, ou nos braços que já não agüentam mais ficar fora das mangas na baixa estação, mas a insatisfação era única e exclusivamente minha.
Não conheço mulher que não tenha passado por uma situação dessas. Tem dias que nada serve nada presta nada vale, nem nós mesmas. São dias que poderíamos pular no calendário, esquecer que existiram, não valem nem guardar como experiência de vida. Mas são dias que existem, às vezes muito mais do que desejamos. Jamais assisti um filme ou li em livros, a cena de um homem frente ao espelho colocando e tirando compulsivamente uma gravata, ou uma camiseta básica para sair e encontrar amigos.
Chego a acreditar que o privilégio da transformação, tirar a pele e se recompor como um camaleão é única exclusivamente feminina. Vem no mesmo pacote do processo da fêmea cujos óvulos caem no útero e se não forem surpreendidos na trajetória se escamam, dissolvem e jorram mensalmente por entre nossas pernas. Passamos boa parte de nossas vidas nos recompondo mês a mês, por dentro e por fora, experimentando as mais incrédulas sensações, como se tivéssemos permanentemente um espelho à nossa frente esperando qual personagem irá se refletir.
Somos e fomos uma coleção de personas. Há pouco tempo abri uma caixa com velhas fotos e fiquei procurando um ponto em comum em todas aquelas carinhas que se transmutavam ora em cabelos claros, outras escuros, longos, curtos, lisos, ondulados... Fiquei analisando aonde eu realmente me reconheceria em qualquer circunstância e só então pude perceber que me encontro num certo jeito de olhar a vida com muita vontade. Um olhar que às vezes se acanha, outras encara, mas com a coerência de enfrentar o que vier sem medo. Não importa se foram os tempos de vacas gordas ou magras, se a roupa era chic de boutique ou costurada pela vovó, se o cenário de fundo era Nova York ou a Tijuca, se sozinha ou acompanhada, mas em todas aquelas fotos o olhar refletia a alma de quem acredita que viver vale a pena.
E é por isso que fico até envergonhada quando vejo na cama um monte de roupas empilhadas. Seda, linho, crepe, jeans, chita, algodãozinho barato, jersey, tudo se mistura e qualquer dia vai virar trapo. Não tem escapatória, é o destino do pano que nem traz alguma verdade ou faz diferença. Serve somente para cobrir um corpo e dar algum status. E eu ainda fico ali, vendo o que serve e o que não serve, combina ou não combina, sendo que a sensação de desconforto é puramente interior. Melhor seria esquecer o cinema, ler um livro, dormir mais cedo ou simplesmente trabalhar na consciência de que o verdadeiro poder esta dentro de mim. Enquanto ficar brincando de por e tirar roupinha, como fazia com as bonecas de papelão que recortava das revistas que vinham no jornal de domingo, nada vai prestar ou saciar a minha busca...
Busca de roupa interior, de algum véu que se rompeu em algum momento e me deixou desnuda na confiança da luz que cada um carrega dentro de si. Algo invisível, intangível, um brilho além desta vida, que será sentido profundamente quando conseguir sem ressentimentos ou comparações deixar os braços de fora em qualquer estação.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Conversa com mamãe

Mamãe não chora… Vamos falar das coisas boas da vida... Lembra da viagem à Disney quando entramos num trenzinho pensando que era só um passeio numa vila mina de ouro velho e quando vimos estávamos no alto de uma montanha russa ? Lembra o quanto gritamos e rimos depois com essa historia? Sorri um pouco, mamãe, não chora... Lembra do cachorro quente que comíamos nas esquinas de Nova York e você dizia que era o melhor do mundo ? E a neve que vimos em Mont Vernon, aquele campo enorme, todo branquinho e nós, feito crianças, tiramos fotos prá mostrar no Brasil... Mamãe, quanta vida prá recordar... 90 anos de construção de alegrias... Que graça ter só vivido bons momentos...Quantos irmãos, parentes e amigos... Que maridão você teve por quase 60 anos que lhe cobriu de dengos, e de sapatos e carinhos...Não faltaram viagens, passeios, nem pêssegos escondidos no armário só para você comer ... Bombons nas gavetas, roupa nova no cabide... Nada faltou mamãe, não chora, a nossa vida foi muito feliz...

domingo, 17 de maio de 2009

1993

Um pouco da historia da tv brasileira está comigo nesta foto...
Estudio da antiga TV Tupi na Urca, lançamento do livro "Um Instante Maestro"... Da esquerda para a direita : Wilton Franco, Mauricio Sherman, Jose Messias, Antonio Belo (atrás), Carlos Renato (atrás), eu, Flavio Cavalcanti Jr., Humberto Reis, José Mandarino e Brochado...

Simonal


Fui ao cinema, sessão das duas no shopping Frei Caneca, assistir ao Simonal. Fiquei com um nó na garganta da primeira a última cena. "Ninguem sabe o duro que dei" é a história de alguém que tinha para ser tudo e acabou tão cedo de maneira tão triste... So hoje constatei que ele era 11 anos mais velho do que eu e morreu aos 62 anos... Muito jovem...
Quem primeiro me chamou atenção para a voz de Simonal foi meu irmão Victor. Eu devia ter pouco mais de 16 anos quando ouvi "Nanã". Era surpreendente... Alguns anos depois como jornalista conheci o cantor, e a vida deu voltas, através de amigos ficamos ainda mais próximos e nossos filhos, o dele Max, e o meu Bernardo, foram batizados juntos...Ouvi muitas noites ele dando "canja" no Flag em Copacabana... Cantava "Tatuagem", de Chico Buarque deslumbantemente... Quando estava escrevendo o livro "Um Instante Maestro" fiz uma entrevista com ele. Já doente, deprimido, mas acho que colocamos alguns pontos nos íis... Hoje assistir ao filme deu uma enorme saudade... Saudades dele, saudades de pedaços da minha vida... Também tive vergonha, muita vergonha do que fizeram com ele... Eita Brasil...

Quase 80

"... não sei se trocaria a minha vivência de 80 anos pelo tempo não vivido quando a gente tem 20. Nessa idade a gente nem se vê vivendo." Fernanda Montenegro, Folha de S.Paulo, Ilustrada hoje

quarta-feira, 13 de maio de 2009

reflexão

respondendo email...

"que desafio e aprendizado em cada passo deste show !
não sei se serve como exemplo, mas recentemente estava envolvidíssima num projeto e, de repente, saiu das minhas mãos e caiu na de outra pessoa para continuar tocando...
ao longo de 40 anos de trabalho sempre fui muito apegada a tudo que fazia, e tive pela primeira vez o sentimento de que quando se constrói em conjunto, nada é meu...os outros podem colocar a mão, dar palpite> e até seguir construindo...
só agora percebi, from the deep of my soul, de que meu mesmo acho que tenho apenas a vida que levo... até a casinha na Bahia, as árvores, plantas, os cachorros sei lá o qto são meus... são da vida de cada um... ter tido este pensamento me fez tão feliz... divido com vc estas novas experiências..
beijos e bom dia tudo vai ser melhor"

quinta-feira, 7 de maio de 2009

saudades de casa...
"Em nossos sonhos, a dor que não esquecemos goteja lentamente sobre o coração do homem e, em nosso próprio desespero, e contra nossa vontade, vem a sabedoria por meio da tremenda graça de Deus."
Ésquilo