domingo, 7 de março de 2010

Novo endereço


Meu novo endereço, convido a visitar



tem post atualizado

O dia em que apareci no Jornal Nacional

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um novo blog



seguindo a sugestão de amigos estou migrando para um novo endereço...um novo tempo em todos os pontos de vista...

um blog com carinha de site



venham me visitar...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Os 4 filhos

No leito do hospital, liberada da UTI há menos de 24hs, fraquinha, respirando com dificuldade ela percebe os 4 filhos reunidos. Quero muito que tenha tido essa percepção, mesmo sem emitir um som diferenciado que não seja seus curtos gemidos, nem fazer um gesto com a mão caída sobre o colchão e inerte. Os meninos repetem o que os medicos falaram, as meninas rezam baixinho. Saem juntos os 4 irmãos para a pizza. Riem, conversam, declaram amor, lagrimas, discussão, raivas escondidas e declaradas, perdão, apaziguamentos. Na madrugada o telefone toca e avisa : ela voltou para UTI. Há poucos minutos mais um telefonema : ela se foi.
Ficam so os 4 irmãos com sua historia e muito a frente. Descanse em paz.
Léa Penteado Enviado do meu Blackberry

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Peixe pequeno

Andando na praia pela manhã surpreendo-me com cardumes de mini peixes fazendo a festa a beira mar. Milhares de peixinhos prateado em um grupo super organizado, dançando como os dervixes, num nado sincronizado. Entro no mar e tento desfazer o bloco dos peixinhos que continuam seguindo em bando. Passam pelas minhas pernas, fazem uma gostosa coceirinha e vão no movimento da maré. Alguns morreram na praia, pequenos demais ate para serem iscas de pescador, mas os que sobreviveram vão se tornar alguma coisa grande, ou quem sabe simples sardinhas. Como todos na vida, o futuro é incerto.
Léa Penteado Enviado do meu Blackberry

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ponta de Santo Andre

Pode não ser o mar mais azul, apesar de assim ter sido ate agora, mas esse encontro do rio Joao de Tiba com o mar é um visual espetacular. Como sempre a natureza em sua plena exuberancia.
Léa Penteado Enviado do meu Blackberry

Nublou

60 dias sem chuva, quase 30 dias com mamãe vagando do quarto do hospital para UTI, o tempo nublou. Um verão de muito sol, mas dentro de mim nuvens negras e pesadas, prenúncio de tempestade. Total incoerência nestas férias entre desejos e realidades. Senhor seja feita a vossa vontade de sol ou de chuva. A natureza mostra que tudo se transforma e tem seu ciclo. Vou me ater a este pensamento e acreditar na plena transmutação.
Léa Penteado Enviado do meu Blackberry

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Caminho de casa

Vi o dia nascer no aeroporto de Confins, vejo o dia acabar a caminho do aeroporto do Galeão. Um risco rosado no ceu azul de verão avisto enquanto o carro vai pela Linha Vermelha e sinto o indefectivel cheiro de enxofre, ou de podre, mas que tanto marcaram minha saídas e chegadas do Rio.
Não sei expressar como estou. Ou sou muito forte ou tão fragil que me escondo em um personagem. Talvez em algum momento eu desabe. Estou exausta. Sai de casa para pegar a balsa de 1 da manhã, um voô às 3h30 para BH, depois outro às 7h40 para o Rio e fiquei esperando com minha irmã até às 14hs para a visita na UTI e encontrar mamãe dormindo.
Não mamãe isso não. Acorde só um pouquinho pra me ver. O corpo magrinho coberto por aventais. Onde estão as lindas camisolas que papai presenteava e sempre repetia a mesma piada : "pedi para a vendedora experimentar para ver se ficava bem". Esse era o maximo de insinuação de sensualidade que ouvi em casa. E hoje mamãe esta envolta em panos. Os braços presos a cama transpiram muito. Estranho, só os braços, como se um liquido em forma de suor fosse saindo do corpo apesar do frio do ar condicionado. As mãos estão inchadas de tantas picadas para injetar soro. Penalizada com a cena rezo em silêncio implorando para mamãe acordar. Ela não escuta. Insisto mais um pouco, agora chamando quase que em seu ouvido e aos poucos vai despertando. Vejo na máquina sob a cama que os numeros marcando o batimento cardiaco aumentam muito ao me ver. Desculpe interromper seu sono, mas filhos querem sempre atençao e eu não poderia voltar pra casa sem falar algumas coisas. Lucida presta atenção às graças que falo. Posso ate ouvir sua voz dizendo " uma palhaça" seguido de um risinho curto. Mamãe nunca foi de exteriorizar sentimentos. Continuo falando, meus irmãos falam tambem, fazem sinais e ela se mexe na cama querendo sentar. Ainda não dá mamãe. O enfermeiro avisa que o tempo da visita esta acabando. Ainda faço uma prece em voz alta. Dou um beijo e ela balbucia : Deus te abençoe. Eu respondo : Deus te abençoe tambem, eu te amo.
Volto pra casa e ja não sei quando nos veremos de novo. Por enquanto mamãe ficamos combinado que vamos nos ver qualquer dia.


Léa Penteado enviado do meu Blackberry